Em São Paulo, o crescente número de motociclistas e as altas taxas de acidentes envolvendo esse modal vêm gerando preocupação nas autoridades de trânsito. Nos últimos três anos, a cidade tem se dedicado a implementar soluções para aumentar a segurança dos motociclistas, com foco na Faixa Azul, um corredor exclusivo que separa motos de outros veículos, promovendo mais organização e segurança no tráfego. A ideia central da Faixa Azul é reduzir os riscos de acidentes fatais, garantindo que motociclistas tenham um espaço delimitado para se deslocar de forma mais protegida.
Os resultados iniciais têm sido promissores. Desde a implantação da primeira faixa em 2022, o projeto já cobre 221 quilômetros de vias da cidade, e os dados mais recentes mostram uma redução significativa nas mortes de motociclistas, alcançando uma diminuição de 47% entre 2023 e 2024. Esta medida, além de proporcionar mais segurança, beneficia diretamente cerca de 500 mil motociclistas que utilizam essas faixas diariamente. Em um cenário em que a frota de motos na capital paulista ultrapassa 1,3 milhão, a Faixa Azul se configura como um dos pilares para uma mobilidade urbana mais segura.
A administração municipal tem se mostrado comprometida com a ampliação do projeto, com a promessa de adicionar mais 200 quilômetros de Faixa Azul até 2028. Este esforço visa cobrir ainda mais vias, permitindo que a infraestrutura beneficie um número maior de motociclistas e contribua para a redução das mortes no trânsito. A iniciativa, que começou como um projeto-piloto, agora é vista como um modelo de sucesso, sendo replicada em outras cidades do estado.
O impacto da Faixa Azul já pode ser visto nas estatísticas de segurança. De acordo com o sistema Infosiga, que monitora a letalidade no trânsito, a implementação das faixas trouxe uma queda de 47,2% no número de mortes de motociclistas nas vias onde as faixas foram instaladas. Em 2023, o número de óbitos foi de 36, e em 2024 esse número caiu para 19. Essa redução se alinha com os objetivos do projeto, que visa não apenas organizar o trânsito, mas também proporcionar maior proteção para quem utiliza motos nas vias públicas.
Além de garantir mais segurança para os motociclistas, a Faixa Azul também tem sido bem recebida pelos motoristas. Em pesquisas realizadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a maioria dos motoristas e motociclistas aprova a medida, destacando que a separação entre as faixas de veículos tem contribuído para um convívio mais harmônico nas vias. Nas avenidas que já receberam a Faixa Azul, como a Avenida dos Bandeirantes, a satisfação dos condutores chegou a 99% entre os motociclistas e 89,8% entre os motoristas, com muitos afirmando perceber uma melhora significativa na fluidez do tráfego.
A Faixa Azul não só diminui o risco de acidentes, mas também otimiza o tempo de deslocamento dos motociclistas. Muitos entregadores, como Wellington Batista Silva, que trabalha como motoboy há 30 anos, relatam que a medida trouxe mais segurança e também mais eficiência no trabalho. Para ele, a Faixa Azul foi uma das melhores iniciativas já feitas para os trabalhadores da moto na cidade.
Atualmente, São Paulo conta com 221,2 quilômetros de Faixa Azul distribuídos por 46 vias da cidade, o que equivale a uma viagem de ida e volta até Campinas. O projeto tem se expandido de forma constante, com novos trechos sendo inaugurados a cada mês. O mais recente, de 6 quilômetros, foi implantado na Avenida do Estado em março de 2025. A meta da Prefeitura de São Paulo é alcançar 400 quilômetros de Faixa Azul até 2028, com o objetivo de cobrir mais vias e oferecer maior proteção a um número ainda maior de motociclistas.
A medida também está alinhada com os princípios da Visão Zero, que preconiza que nenhuma morte no trânsito é aceitável, e com o Sistema Seguro, que visa prevenir ferimentos graves mesmo em casos de erro humano. A combinação dessas diretrizes tem demonstrado que o projeto é viável e eficaz na redução da mortalidade no trânsito, especialmente entre os motociclistas, que são considerados um dos grupos mais vulneráveis no contexto do trânsito urbano.
Embora os resultados sejam positivos, a administração municipal ainda enfrenta desafios. A prefeitura planeja instalar pontos de apoio para entregadores, com banheiros, espaços para aquecer alimentos e locais para descanso. Contudo, esses pontos ainda estão em fase de planejamento, e a localização e o prazo para sua instalação ainda não foram definidos.
A Faixa Azul é uma sinalização que visa separar as motos dos carros, ciclistas e ônibus, criando um espaço exclusivo para o tráfego de motocicletas. Esse tipo de infraestrutura tem sido inspirado em experiências bem-sucedidas de outras cidades ao redor do mundo. O conceito de Faixa Azul é uma forma de melhorar a segurança e a fluidez do tráfego nas grandes metrópoles, proporcionando aos motociclistas um local mais seguro para trafegar, especialmente nas vias mais congestionadas e de maior circulação de veículos.
Além da melhoria na segurança, a Faixa Azul ajuda a organizar o tráfego nas vias mais movimentadas, garantindo que os motociclistas não se vejam forçados a se deslocar entre carros e outros veículos, o que aumentaria o risco de acidentes. A infraestrutura também ajuda a tornar o trânsito mais previsível, tanto para motociclistas quanto para motoristas, o que pode reduzir os conflitos e o estresse no trânsito diário.
A implantação da Faixa Azul também reflete uma mudança na forma como a cidade lida com a mobilidade urbana, reconhecendo a importância do transporte por moto, especialmente para trabalhadores autônomos e entregadores, que dependem das motos para realizar suas atividades. A Prefeitura de São Paulo tem dado atenção especial a esse modal, ampliando a infraestrutura e trabalhando para que a cidade se torne mais segura para todos os seus habitantes.
A cidade de São Paulo vem implementando a Faixa Azul como uma alternativa para melhorar a segurança dos motociclistas no trânsito urbano. Essa faixa preferencial, que não é exclusiva, está posicionada entre as faixas 1 e 2 das principais vias e serve como um corredor orientador para o tráfego de motos. A iniciativa busca disciplinar a circulação sem alterar a lógica do trânsito existente, oferecendo uma referência visual que ajuda a reduzir o número de acidentes.
Desde que foi implantada na Avenida 23 de Maio, a Faixa Azul apresentou resultados considerados positivos, com redução de colisões e maior fluidez nas vias. Com base nesses dados, o projeto foi expandido para corredores importantes como as avenidas dos Bandeirantes, do Estado e Jacu Pêssego. Segundo a Prefeitura, São Paulo já ultrapassou 220 km de Faixa Azul e a meta é atingir 400 km até o ano de 2028.
Apesar de ser destinada a motociclistas, a faixa não impede a circulação de carros e não obriga o seu uso exclusivo por motos. O respeito aos limites de velocidade e a atenção redobrada continuam sendo fundamentais. A proposta é educativa e tem foco na convivência mais segura entre veículos de diferentes portes, sobretudo em um cenário onde o número de motos nas ruas cresce a cada ano.
A Faixa Azul é uma sinalização preferencial voltada para motociclistas, mas seu uso não é obrigatório e nem exclusivo. Motociclistas podem utilizá-la sempre que desejarem, especialmente em situações de tráfego intenso ou paradas frequentes, pois ela funciona como uma referência segura para a circulação entre os carros. A faixa está localizada entre as faixas 1 e 2 das avenidas e tem como objetivo principal orientar e disciplinar o fluxo das motos, sem alterar a estrutura original das vias.
Mesmo sendo uma faixa preferencial, outros veículos também podem transitar por ela. A recomendação para motociclistas é que utilizem a Faixa Azul com atenção redobrada, respeitando os limites de velocidade da via e mantendo uma condução segura. A utilização da faixa é opcional, e sua presença não muda as regras gerais de trânsito, servindo como um recurso para reduzir riscos e organizar melhor o espaço viário em áreas de grande fluxo.
A Faixa Azul em São Paulo é uma sinalização preferencial destinada a orientar o fluxo de motocicletas entre as faixas de rolamento 1 e 2 das vias. Seu principal objetivo é organizar e aumentar a segurança no trânsito para os motociclistas, sem alterar a dinâmica existente para os demais veículos.
Quanto ao estacionamento, não é permitido parar ou estacionar veículos na Faixa Azul. Essa área deve permanecer livre para a circulação contínua de motocicletas e outros veículos, visando garantir a fluidez e a segurança no trânsito. Para estacionar em São Paulo, é necessário utilizar as vagas regulamentadas pela Zona Azul, o sistema de estacionamento rotativo da cidade. Nessas áreas, os motoristas devem observar a sinalização local para verificar o tempo de validade do Cartão Azul Digital (CAD), os dias da semana e o horário de funcionamento, além de outras condições específicas de estacionamento.
Uma pesquisa conduzida pela CET, em parceria com a Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito (SEMTRA), colheu avaliações positivas tanto de motociclistas quanto de motoristas. O levantamento foi realizado nas avenidas dos Bandeirantes, Sumaré, Nações Unidas e 23 de Maio, todas com faixas implantadas desde 2022.
Na Avenida dos Bandeirantes, 99% dos motociclistas e 89,8% dos motoristas avaliaram o projeto como bom ou muito bom. A percepção de melhora no convívio também foi registrada, com 98,07% dos motociclistas e 92,58% dos condutores apontando mudanças positivas.
O estudo também indicou que a grande maioria dos entrevistados acredita que a Faixa Azul é um projeto benéfico. Os índices superam os 90% em quase todas as vias, sugerindo que, além de impactar positivamente os dados de segurança viária, a medida é bem recebida pela população diretamente envolvida.
Cidades próximas à capital paulista, como São Bernardo do Campo e Santo André, já iniciaram a implantação de faixas azuis, citando a experiência de São Paulo como referência. A ampliação para a Região Metropolitana sinaliza que o modelo poderá ser estendido também a outros municípios com alta concentração de motociclistas.
O governo municipal de São Paulo não detalhou como será feito o monitoramento contínuo dos dados das novas implantações nem quais critérios serão usados para priorizar os próximos trechos. O acompanhamento do Infosiga, porém, seguirá como base para a medição dos impactos.
O compromisso da prefeitura é que, até 2028, a capital paulista terá ao menos 400 km de faixas azuis. Se cumprido, esse será o maior programa de faixas preferenciais para motociclistas em área urbana já executado no Brasil, com possível repercussão para políticas federais de mobilidade e segurança viária.
Fonte: Cetsp, Pref-SP, G1 e Mobilidade.