Elon Musk dispara: “Mais burro que um tijolo”, revelando atrito direto com assessor de Trump em nova troca de farpas públicas nas redes sociais

Em nova ofensiva pública, Elon Musk classificou Peter Navarro como "imbecil", elevando o tom nas críticas ao plano tarifário liderado pelo economista ligado a Trump.
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Na mais recente reviravolta da política comercial americana, Elon Musk, fundador da Tesla e da SpaceX, lançou um ataque verbal direto contra Peter Navarro, economista responsável por moldar a estratégia tarifária do governo Trump. Em resposta a uma entrevista veiculada pela CNBC, Musk chamou Navarro de “imbecil”, expondo fraturas entre os setores empresarial e político nos Estados Unidos.

Pontos Principais:

  • Musk respondeu a críticas de Navarro sobre o uso de peças estrangeiras pela Tesla.
  • O assessor defende industrialização local e critica a estrutura da Tesla como montadora.
  • Bilionário rebateu apontando que sua empresa usa mais componentes locais do que rivais.
  • Conflito revive episódio em que Navarro citou um especialista fictício em livros.

O centro da controvérsia está nas origens das peças dos veículos elétricos. Navarro acusa Musk de mascarar uma cadeia de produção globalizada sob a fachada de um produto nacional. Em sua avaliação, a Tesla atua mais como montadora do que como fabricante, com baterias provenientes da Ásia e sistemas eletrônicos vindos de Taiwan. A crítica, porém, transcende a análise técnica: ela reforça o argumento de que os Estados Unidos devem reindustrializar setores estratégicos.

Para Musk, a narrativa é distorcida. Ele afirmou que a Tesla lidera em conteúdo americano por veículo e que Navarro ignora dados públicos e verificáveis. Mas a réplica foi além da argumentação técnica: ao recordar que Navarro criou um especialista fictício chamado Ron Vara (anagrama de seu próprio nome) para reforçar teses em seus livros, Musk sugeriu que o economista opera com má-fé intelectual.

A disputa ocorre em meio à imposição de tarifas de até 104% a produtos importados, medida já definida como protecionista e potencialmente danosa por setores empresariais. Musk, embora conselheiro informal de Trump, tem se oposto abertamente às diretrizes que considera retrógradas e contrárias à competitividade.

O episódio sublinha o dilema estrutural dos Estados Unidos entre protecionismo econômico e interdependência global. Apesar da retórica nacionalista, a cadeia produtiva moderna de veículos – inclusive os elétricos – é profundamente transnacional. Baterias de íon-lítio, chips semicondutores e outros insumos cruciais dificilmente são fabricados integralmente em solo americano.

A fricção entre Musk e Navarro expõe um racha mais amplo na coalizão de apoio a Trump. Enquanto setores industriais veem vantagem nas tarifas como forma de recuperar empregos locais, líderes de tecnologia alertam que tais medidas isolam os Estados Unidos de insumos estratégicos e afetam a inovação.

Trump, por ora, tem adotado postura ambígua. Embora mantenha Musk próximo como interlocutor, já sinalizou que o papel do empresário no governo pode não ser permanente. As tensões recentes – somadas à queda nas ações da Tesla – sugerem que a influência de Musk pode estar em declínio, ao menos no ambiente político de Washington.

Esse episódio reflete não apenas divergências sobre política econômica, mas também sobre a identidade industrial americana. Em jogo está a definição do que significa “fabricar nos Estados Unidos” em um mundo onde cadeias de suprimento ignoram fronteiras. E, nesse embate entre pragmatismo empresarial e idealismo econômico, é possível que ambos – Musk e Navarro – estejam certos e errados ao mesmo tempo.

Fonte: InfoMoney, G1 e Exame.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.