BYD e GWM superam montadoras tradicionais em 2025 no Brasil
Montadoras chinesas como BYD e GWM mudaram o equilíbrio da indústria automotiva brasileira em tempo recorde. Em três anos, passaram da irrelevância para 7,2% de participação no mercado, superando marcas tradicionais. Os números divulgados pela Fenabrave revelam um movimento que colocou o Brasil no centro da estratégia global da China no setor automobilístico.
Pontos Principais:
- BYD e GWM alcançaram 7,2% do mercado automotivo em julho de 2025.
- GWM inaugurou fábrica em Iracemápolis (SP) e já projeta segunda planta.
- BYD opera em Camaçari (BA) e lidera entre híbridos e elétricos no Brasil.
- Debate sobre kits SKD expôs risco de transformar o país em maquila.
O caso da GWM mostra como a produção local é peça-chave dessa expansão. A marca inaugurou sua fábrica em Iracemápolis, São Paulo, na antiga planta da Mercedes-Benz, sua primeira unidade nas Américas. O investimento previsto é de R$ 10 bilhões até 2032, com capacidade inicial de 50 mil veículos por ano, incluindo o SUV híbrido Haval H6, a picape Poer P30 e o SUV Haval H9. O primeiro modelo produzido foi o H6, com presença do presidente Lula na inauguração.

A estratégia da GWM vai além da montagem. A empresa já emprega 600 trabalhadores e espera chegar a 2 mil com a expansão para exportações na América Latina. A marca adota o sistema de fornecimento peça por peça, envolvendo 18 fornecedores brasileiros logo no primeiro ano. Além disso, anunciou um centro de pesquisa e desenvolvimento ao lado da fábrica, com laboratórios voltados a híbridos, elétricos, novos combustíveis e inteligência artificial. O projeto deve empregar 60 engenheiros e técnicos.
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A empresa também pretende testar em setembro o primeiro caminhão movido a hidrogênio no Brasil, em parceria com universidades como a USP. Paralelamente, executivos já falam em uma segunda planta no país, com previsão de mais R$ 6 bilhões entre 2027 e 2032, ampliando a produção para até 300 mil veículos por ano. Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo disputam o projeto, em negociações que envolvem incentivos estaduais.
A BYD, por sua vez, optou por uma trajetória mais agressiva, voltada a veículos elétricos e híbridos. Em apenas três anos, vendeu 150 mil unidades. Quatro em cada cinco carros elétricos vendidos no Brasil em 2025 são da marca, assim como três em cada dez híbridos. A fábrica de Camaçari, na Bahia, instalada no antigo complexo da Ford, recebeu investimentos de R$ 5,5 bilhões e já produz o Dolphin Mini e o Song Pro, com capacidade projetada de 600 mil veículos anuais.
A forma como a BYD iniciou a produção gerou polêmica. A empresa solicitou redução de imposto para kits SKD, que chegam da China com carroceria soldada e pintada, restando apenas a montagem local. O pedido provocou reação imediata da Anfavea e de montadoras como Volkswagen, Toyota, Stellantis e GM, que alertaram para o risco de transformar o Brasil em mera plataforma de montagem, com perda de 50 mil empregos e ameaça a R$ 60 bilhões em investimentos previstos até 2030. Governadores de seis estados também se opuseram, temendo impacto na cadeia automotiva nacional.
Pressionado, o governo decidiu antecipar para 2027 a aplicação da alíquota de 35% nos kits de montagem, mas concedeu à BYD uma cota de US$ 463 milhões com tarifa zero por seis meses. A montadora afirmou que pretende atingir mais de 50% de nacionalização até 2027, em parceria com entidades como Abipeças e Sindipeças. As primeiras demandas incluem pneus, baterias e para-choques, enquanto o governo da Bahia avalia incentivos fiscais para atrair fornecedores.
Fonte: Agenciabrasil.


































