Land Rover encerra produção no Brasil; Fábrica em Itatiaia (RJ) poderá ficar para chineses
Durante anos, a fábrica de Itatiaia simbolizou um projeto ambicioso. Quando foi inaugurada em 2016, a unidade colocou o Brasil em uma posição rara dentro da estratégia global da Jaguar Land Rover. Pela primeira vez, a fabricante britânica produzia veículos fora do Reino Unido. Dez anos depois, esse capítulo parece estar chegando ao fim.
A operação segue funcionando normalmente até o encerramento de junho, mas o futuro da planta já desperta atenção dentro da indústria automotiva. Nos bastidores, cresce a expectativa de que a unidade passe para as mãos da Omoda & Jaecoo, marca chinesa que acelera seus planos de expansão no mercado brasileiro.
Uma fábrica criada para crescer
O complexo industrial recebeu investimentos superiores a R$ 1 bilhão e nasceu com capacidade para produzir até 24 mil veículos por ano. A estrutura foi planejada para atender o mercado brasileiro e também exportações regionais, tornando-se a única fábrica da Jaguar Land Rover em toda a América Latina.
Questionada sobre o assunto, a empresa confirmou apenas que a produção segue normalmente durante junho, sem divulgar detalhes sobre eventuais mudanças previstas para os próximos meses.
O cenário, porém, acompanha uma transformação global da companhia. Nos últimos anos, a Jaguar Land Rover passou a concentrar esforços em rentabilidade, simplificação operacional e produtos de maior valor agregado.
Os números ajudam a entender o movimento
Os resultados comerciais mostram um mercado bastante restrito para os modelos produzidos localmente.
- Land Rover Discovery Sport: 425 unidades vendidas em 2025.
- Range Rover Evoque: 332 unidades vendidas em 2025.
Mesmo somando possíveis exportações, os volumes ficaram distantes da capacidade instalada da fábrica. Em um setor onde escala costuma determinar a viabilidade das operações, a conta se torna cada vez mais difícil.
O que a Omoda & Jaecoo pretende fazer
Enquanto uma fabricante reduz sua presença industrial, outra busca exatamente o caminho oposto. A Omoda & Jaecoo já havia definido a produção nacional como prioridade estratégica. O ponto que faltava era encontrar uma base industrial pronta para iniciar as operações rapidamente.
A possível aquisição de Itatiaia resolve esse desafio. Executivos da empresa já haviam indicado que diferentes alternativas estavam sendo avaliadas para viabilizar a fabricação local, revelou o UOL.
Caso a transação seja confirmada, os primeiros veículos produzidos devem focar segmentos de grande volume. Entre os candidatos está o futuro Omoda 4, crossover compacto previsto para disputar espaço em uma das categorias mais importantes do mercado brasileiro. O projeto contempla versões com motor 1.0 turboflex e também sistema híbrido HEV.
Em uma segunda etapa, SUVs híbridos e híbridos plug-in da linha Jaecoo também aparecem entre os modelos cotados para ocupar as linhas de montagem. Se isso acontecer, a mesma fábrica que nasceu para produzir SUVs britânicos de luxo poderá iniciar uma nova fase voltada à expansão das marcas chinesas no Brasil já nos próximos meses.

































