Toyota lidera as vendas mundiais e ainda quer cortar modelos: “Temos modelos demais”, afirma Kenta Kon, novo CEO da marca
A Toyota começou uma revisão de seu portfólio global justamente quando ocupa o topo das vendas mundiais. Kenta Kon, indicado em fevereiro e empossado como CEO em 1º de abril, avalia que a quantidade de modelos e variações chegou a um ponto capaz de comprometer a eficiência da fabricante. A nova gestão pretende enxugar processos, aliviar as equipes de engenharia e transformar escala comercial em maior rentabilidade.
Catálogo extenso virou problema interno
O diagnóstico surgiu após Kon acompanhar diferentes áreas da companhia. Segundo o executivo, engenheiros estão sobrecarregados pela multiplicação de versões, especificações e projetos. Cada derivação exige desenvolvimento, testes, homologação e acompanhamento industrial, mesmo quando o resultado não acrescenta valor proporcional ao consumidor ou ao negócio.
“Se houver áreas que não agregam valor real, precisamos analisá-las mais de perto.”

A Toyota ainda não informou quais veículos poderão ser retirados. A decisão deve considerar mais do que idade ou tecnologia. Um modelo antigo pode permanecer relevante quando conserva demanda e função estratégica, enquanto um projeto recente pode perder espaço caso seu custo deixe de ser justificável.
Lexus perde projeto elétrico, mas veterano continua
O Lexus LF-ZC já aparece como a primeira consequência concreta dessa revisão. Planejado como futuro elétrico da divisão de luxo, o modelo não seguirá adiante. No outro extremo do catálogo, o Land Cruiser 70 Series permanece vendido no Japão e na Austrália mesmo após 42 anos, apoiado por atualizações que mantiveram o utilitário adequado a esses mercados, revelou o Estadao.
Segundo o UOL, o contraste revela a lógica da reorganização: novidade não garante sobrevivência, assim como longevidade não determina aposentadoria. A relevância comercial de cada veículo deverá pesar mais do que sua data de lançamento.
Híbridos terão produção ampliada
Kon também pretende aumentar a produção de híbridos, segmento no qual a Toyota construiu presença global. A mudança, porém, não representa abandono dos motores a gasolina, etanol ou diesel. A fabricante também continuará oferecendo veículos elétricos, mantendo diferentes soluções para mercados com infraestrutura, renda e demandas distintas.
A cobrança por eficiência aparece apesar do desempenho comercial. Toyota e Lexus venderam mais de 10,5 milhões de veículos em 2025, alta de 3,7%, resultado que garantiu à empresa a liderança mundial pelo sexto ano consecutivo.
Ao mesmo tempo, a Toyota perdeu para o SoftBank Group o posto de companhia mais valiosa do Japão. O avanço do conglomerado foi alimentado pelo interesse dos investidores em inteligência artificial e semicondutores. A fabricante ainda não apresentou um cronograma de cortes, e os próximos anúncios de cancelamento, renovação ou continuidade mostrarão quais modelos sobreviverão à reorganização iniciada por Kenta Kon.


































