Venezuela volta ao radar dos EUA após Chevron retomar extração com aval de Trump

Trump autoriza Chevron a retomar extração de petróleo na Venezuela, mas proíbe repasses ao governo Maduro. Decisão visa conter a presença chinesa na América Latina.
Publicado por em Mundo e Negócios dia

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A petroleira norte-americana Chevron recebeu autorização do governo dos Estados Unidos para retomar suas operações na Venezuela. A medida, anunciada na quinta-feira (24.jul.2025), foi concedida pela gestão de Donald Trump com uma condição clara: nenhum royalty ou imposto poderá ser pago ao regime de Nicolás Maduro. A decisão marca uma mudança estratégica na política energética da Casa Branca em relação à América do Sul.

Pontos Principais:

  • Chevron recebe autorização dos EUA para retomar operações na Venezuela.
  • Medida proíbe qualquer repasse de royalties ao regime de Nicolás Maduro.
  • Governo Trump busca conter avanço da influência chinesa na América do Sul.
  • Chevron deverá respeitar sanções e operar sob regras rígidas de conformidade.
  • Venezuela utilizava rotas como a Malásia para escoar petróleo à China.

Apesar de ter uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela enfrenta dificuldades para manter a produção por conta de sanções internacionais e da saída de empresas estrangeiras. A Chevron, que havia sido autorizada a manter ativos no país durante o governo de Joe Biden, teve sua licença suspensa por Trump em março de 2025. Com o novo aval, a companhia volta a operar plenamente, desde que respeite as sanções impostas.

A Chevron é uma das maiores empresas de energia do mundo, com sede nos Estados Unidos, atuando na extração, refino e comercialização de petróleo, gás natural e derivados. Perguntar ao ChatGPT - Foto: Pedro Szekely / Wikipedia
A Chevron é uma das maiores empresas de energia do mundo, com sede nos Estados Unidos, atuando na extração, refino e comercialização de petróleo, gás natural e derivados. Perguntar ao ChatGPT – Foto: Pedro Szekely / Wikipedia

A produção venezuelana vinha se mantendo entre 900 mil e 1 milhão de barris diários, número baixo para o potencial do país. Para manter suas exportações, o governo de Caracas recorreu a esquemas de transbordo que utilizam rotas alternativas, como a Malásia, para chegar até a China, seu principal comprador atual. Com a reentrada da Chevron, espera-se que parte desse fluxo seja redirecionado.

O governo Trump justificou a liberação alegando preocupações com a crescente influência da China na região, especialmente em áreas consideradas estratégicas para a segurança energética dos Estados Unidos. A operação da Chevron, portanto, serve a interesses geopolíticos mais amplos do que apenas o setor petrolífero.

A Chevron, por sua vez, declarou que continuará a operar em conformidade com todas as leis e sanções impostas pelos Estados Unidos. A empresa se comprometeu a manter padrões rigorosos de conformidade jurídica, o que inclui não realizar transferências financeiras que beneficiem o governo de Maduro.

Essa retomada marca o retorno da maior empresa dos Estados Unidos no setor de petróleo a um dos mercados mais complexos e instáveis da América Latina. Ao mesmo tempo, reflete o esforço norte-americano para evitar que a China se torne a principal força de apoio à infraestrutura energética venezuelana.

Enquanto isso, Caracas segue tentando diversificar seus canais de exportação e reforçar parcerias com países asiáticos. A reaproximação com empresas dos Estados Unidos, mesmo com restrições, pode sinalizar um novo capítulo na política energética do continente, sem que haja, necessariamente, mudança na postura diplomática de Washington em relação ao governo de Maduro.

Fonte: Valor, Chevron e Poder360.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.