Quase 20 milhões de veículos devem circular pelas rodovias estaduais até quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, por causa do Carnaval. No mesmo período, o sistema de pedágio eletrônico conhecido como free flow, já implantado em trechos do estado, passa por um teste de volume que expõe uma dúvida recorrente entre motoristas: o que acontece se a cobrança não for paga no prazo.
O modelo substitui praças físicas por pórticos com câmeras e sensores instalados ao longo da pista. Em vez de cancelar ou reduzir bruscamente a velocidade, o veículo passa sob a estrutura e o sistema registra a passagem de duas formas distintas.
Segundo explicou um especialista em mobilidade, em entrevista a um telejornal de alcance nacional, há dois formatos de cobrança no sistema. No primeiro, câmeras capturam a placa do veículo e geram um débito que deve ser quitado pelo proprietário em até 30 dias. No segundo, um sensor identifica a tag instalada no carro e o valor é debitado automaticamente da conta vinculada, com desconto de 5%.
Especialistas afirmam que o sistema torna a viagem mais fluida ao eliminar a parada obrigatória nos pedágios tradicionais, o que reduz retenções e contribui para maior previsibilidade no deslocamento, especialmente em datas de grande movimento.
O ponto central da mudança está no prazo. Quando o motorista utiliza o trecho com free flow e não possui tag, ele precisa consultar a cobrança e efetuar o pagamento em até 30 dias. Caso não o faça, a situação deixa de ser apenas um débito em aberto.
A não quitação é considerada evasão de pedágio. Nessa condição, o condutor é enquadrado em infração grave, com multa de R$ 195,23 e acréscimo de cinco pontos na carteira de habilitação. A penalidade transforma o descuido administrativo em problema formal de trânsito, com impacto direto no prontuário do motorista.
Para reduzir a dispersão de informações entre diferentes concessionárias, o governo estadual lançou o site Siga Fácil, que unifica as cobranças do free flow. A plataforma permite ao usuário consultar débitos e regularizar a situação em um único ambiente digital, o que se torna particularmente relevante em períodos como o Carnaval, quando o fluxo nas estradas cresce de forma expressiva.
A iniciativa busca enfrentar a principal crítica ao modelo: a necessidade de o motorista sem tag agir de forma ativa para não perder o prazo. No sistema automático, a cobrança ocorre sem intervenção do usuário. Já na modalidade por leitura de placa, a responsabilidade recai sobre o proprietário do veículo.
A expansão do free flow indica uma tendência de substituição gradual dos pedágios convencionais no estado, movimento que coloca o Brasil diante de uma tecnologia já consolidada em outros mercados. Para o motorista, porém, a modernização exige atenção redobrada aos prazos, sob risco de transformar uma viagem sem filas em dor de cabeça administrativa.