A aquisição do controle da Desktop pela Claro adiciona um novo capítulo à reorganização do setor de telecomunicações no país, com uma operação que envolve R$ 2,414 bilhões e reposiciona a disputa por clientes fora dos grandes centros urbanos.
O negócio prevê a compra de 73,01% do capital da operadora de banda larga, ao preço de R$ 20,82 por ação, com base em uma avaliação total da empresa em R$ 4 bilhões. O valor considera o endividamento líquido da companhia apurado em setembro de 2025.
A operação foi estruturada com base em um enterprise value de R$ 4 bilhões e dívida líquida próxima de R$ 1,6 bilhão, resultando em um equity value de cerca de R$ 2,4 bilhões.
O preço representa um prêmio relevante em relação à cotação recente, o que sinaliza uma disputa por ativos já consolidados no interior do país.
O fechamento do negócio não é imediato. A transação precisa passar pelo aval de órgãos reguladores e por ajustes societários antes de ser concluída.
A aprovação depende do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e da Agência Nacional de Telecomunicações, além de deliberação em assembleia de acionistas.
Após a conclusão, a Claro deverá realizar uma oferta pública para aquisição das ações restantes da Desktop, garantindo aos minoritários condições equivalentes às oferecidas no acordo principal.
Fundada em 1996, a Desktop construiu sua presença fora dos grandes centros e se tornou uma das principais provedoras regionais, com atuação em mais de 200 cidades.
A empresa registrou faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2025 e ampliou sua base de clientes ao longo dos últimos anos, impulsionada por aquisições e crescimento orgânico.
| Clientes | 1,2 milhão |
| Cidades atendidas | mais de 200 |
| Faturamento 2025 | R$ 1,2 bilhão |
O avanço de provedores regionais como a Desktop passou a atrair grandes operadoras, que buscam acelerar presença em mercados onde a expansão própria é mais lenta.
A aquisição ocorre em meio a um cenário de consolidação da banda larga no Brasil, com grandes empresas ampliando participação sobre operadoras locais que ganharam escala.
O múltiplo da transação, estimado em 6,2 vezes o EBITDA, supera o nível em que a Desktop vinha sendo negociada, o que pode influenciar a precificação de outras empresas do segmento.
Além disso, a valorização recente das ações, que acumulam alta expressiva nos últimos doze meses, já refletia expectativas de venda.
O acordo também prevê retenção de parte do valor em conta vinculada por até cinco anos, mecanismo comum para cobrir eventuais contingências após o fechamento.
Enquanto a operação aguarda aprovação regulatória, o mercado acompanha os desdobramentos, especialmente a reação de concorrentes e o impacto sobre outras negociações em andamento no setor.