Will financeira foi liquidada hoje e meu cartão Will Bank Mastercard parou de funcionar; dor de cabeça na hora de abastecer meu carro
Pontos Principais:
- Liquidação da Will Financeira pelo Banco Central interrompeu na prática o uso dos cartões em postos, oficinas e concessionárias.
- Bloqueio no arranjo da Mastercard faz transações serem recusadas mesmo com limite disponível no aplicativo.
- Motoristas ficam sem meio de pagamento para abastecer, fazer manutenção e quitar serviços essenciais do carro.
- Crise do grupo ligado ao Banco Master sai do noticiário financeiro e atinge o cotidiano de quem depende do crédito para rodar.

Hoje de manhã, no posto de gasolina da esquina, vivi na prática o que até ontem parecia apenas uma manchete de economia. Encostei o carro na bomba, pedi para completar o tanque e, no automático, entreguei o cartão da Will. O frentista passou na maquininha, esperou alguns segundos, tentou de novo. Tela vermelha. “Transação não autorizada”.
Pensei que fosse sinal fraco. Ele mudou de máquina. Mesmo resultado. Tentou no crédito, no débito, aproximação. Nada. Atrás de mim, a fila começou a crescer. O constrangimento é rápido e silencioso: você sente que o problema é seu, mesmo sem saber exatamente qual é.
Abri o aplicativo no celular. Tudo parecia normal. Limite disponível, fatura em dia, cartão ativo. Mas o pagamento simplesmente não passava. O frentista, já acostumado com o movimento de quem vê problema o dia inteiro, foi direto: “Esse banco aí está com bloqueio, a bandeira não está aceitando”.
Foi ali que a notícia ganhou forma concreta. Horas antes, o Banco Central havia decretado a liquidação extrajudicial da Will Financeira, ligada ao grupo do Banco Master. No comunicado oficial, uma frase explica o que acontece no mundo real: descumprimento com a Mastercard e bloqueio no arranjo de pagamentos. Traduzindo para quem está no volante: o cartão existe, o aplicativo abre, o limite aparece, mas a compra não passa.
No posto, isso significa tanque vazio e pagamento recusado. Em casa, pode ser a parcela do seguro, a revisão na oficina, o pneu que estourou na estrada. O carro, que depende de crédito como quem depende de combustível, vira refém de uma crise que começou no sistema financeiro e termina na bomba de gasolina.
Paguei com outro cartão, mas nem todo mundo tem essa alternativa. Vi o frentista comentar que, desde cedo, outros clientes já tinham passado pela mesma situação. Alguns tentaram insistir, outros ligaram para familiares, alguns foram embora para buscar dinheiro. Pequenas cenas de transtorno que não aparecem nos balanços do Banco Central, mas que somam tempo perdido, vergonha, insegurança e atraso.
O problema não é só o pagamento do abastecimento. Quem usa o cartão para parcelar manutenção, trocar óleo, pagar franquia de seguro ou fechar a entrada de um usado na concessionária fica subitamente sem chão. A compra que estava encaminhada trava. O conserto que começou não tem como ser quitado. O motorista descobre, no meio da rotina, que o crédito evaporou.
A liquidação da Will não é apenas um processo técnico, com liquidante nomeado e bens bloqueados. É a materialização de uma quebra de confiança. Um banco que ontem dizia “aprovado” hoje produz “transação negada”. Entre uma coisa e outra, está o consumidor, parado no caixa, na bomba, no balcão da oficina, tentando entender por que o sistema financeiro decidiu, de uma hora para outra, desligar o cartão que ele usava todos os dias.
“Quando o cartão da Will parou de passar no posto, entendi como uma crise bancária vira problema mecânico, porque sem crédito não tem combustível, não tem oficina, não tem seguro pago e o carro simplesmente para, e o motorista, que só queria seguir a rotina, fica refém de uma decisão financeira distante que corta o fluxo do dia a dia e transforma uma simples ida ao posto num alerta de que, hoje, até rodar depende da saúde do sistema bancário.” – Opinião do Autor
No fim, saí do posto com o tanque cheio (liguei pra minha esposa, ela me deu um socorro pelo pix) e uma certeza incômoda: crise bancária não é abstrata. Ela tem cheiro de gasolina, fila atrás de você e uma maquininha que insiste em mostrar, em vermelho, que o dinheiro que parecia existir, na prática, sumiu.


































