Comprar um Nissan Kicks de 1ª geração ainda faz sentido em 2025? O tempo revelou o que ele entrega

O Nissan Kicks de primeira geração atravessa quase dez anos no mercado mantendo vendas, custo previsível, uso urbano confortável e reputação sólida, mesmo após a chegada da nova geração.
Publicado por em Nissan e Usados dia

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Pontos Principais:

  • O Nissan Kicks de primeira geração segue em linha em 2025 como Kicks Play, mesmo após a chegada da nova geração.
  • O modelo mantém motor 1.6 aspirado flex conhecido, com funcionamento previsível e histórico consolidado no mercado.
  • O porta-malas de 431 litros e a altura em relação ao solo seguem como diferenciais práticos no uso cotidiano.
  • A economia no abastecimento e a manutenção conhecida sustentam a boa aceitação entre consumidores ao longo dos anos.

Quem chega ao Nissan Kicks de primeira geração normalmente não está buscando novidade, está tentando evitar erro. Em um mercado cheio de SUVs recém-lançados, cheios de promessas e ainda pouco testados, o Kicks aparece como aquele carro que todo mundo conhece, mas que poucos param para analisar com calma antes de decidir.

A dúvida real não surge no anúncio ou na concessionária, ela aparece depois de alguns meses de convivência, quando o carro deixa de ser expectativa e passa a fazer parte da rotina, dos gastos fixos e das comparações inevitáveis.

O momento em que o projeto antigo começa a jogar a favor

O Nissan Kicks surgiu em 2016 e, quase dez anos depois, ainda está à venda. Isso não acontece por nostalgia, mas por um comportamento que o tempo tratou de validar.
O Nissan Kicks surgiu em 2016 e, quase dez anos depois, ainda está à venda. Isso não acontece por nostalgia, mas por um comportamento que o tempo tratou de validar.

Quando foi lançado em 2016, o Kicks já nasceu com uma proposta clara, ser um SUV urbano, simples de dirigir e fácil de manter. Ao longo dos anos, o mercado mudou, os concorrentes ficaram maiores, mais potentes e mais tecnológicos. Ainda assim, a Nissan decidiu manter essa geração em linha em 2025, agora como Nissan Kicks Play. Não foi uma decisão estética ou emocional, foi estratégica.

É justamente o tempo de mercado que começa a pesar a favor. O Kicks já passou pelo teste que muitos rivais ainda enfrentarão. Ele já rodou em ruas ruins, já encarou revisões fora da garantia, já mostrou como envelhece. E isso muda a conversa para quem não quer ser cobaia de projeto novo.

Nissan Kicks usados, preços na Tabela Fipe por ano

  • 2017, valor Fipe entre R$ 76.423 e R$ 78.013
  • 2018, valor Fipe entre R$ 74.675 e R$ 80.292
  • 2019, valor Fipe entre R$ 76.542 e R$ 83.398
  • 2020, valor Fipe entre R$ 79.482 e R$ 85.483
  • 2021, valor Fipe entre R$ 84.543 e R$ 92.061
  • 2022, valor Fipe entre R$ 87.853 e R$ 101.357
  • 2023, valor Fipe entre R$ 94.232 e R$ 112.759
  • 2024, valor Fipe entre R$ 96.611 e R$ 117.561

O motor não impressiona, e é aí que a relação começa a funcionar

O conjunto mecânico do Kicks nunca foi pensado para empolgar. O motor 1.6 aspirado flex entrega até 113 cavalos de potência e 15,3 kgfm de torque em um funcionamento progressivo e previsível, números que não chamam atenção em ficha técnica, mas que fazem sentido quando o uso vira rotina.

Até 2021, a potência era um pouco maior, mas as mudanças feitas para atender às normas ambientais mantiveram o caráter do carro. Ele responde de forma linear, sem sustos, sem picos e sem exigir adaptação do motorista. No trânsito pesado, isso reduz desgaste. Na estrada, exige planejamento. E é exatamente nesse ponto que a percepção começa a se dividir.

Até aqui, o Kicks parece confortável demais para um SUV compacto. Mas é quando surgem as ultrapassagens e retomadas que a conta começa a mudar.

Conforto diário que começa a pesar mais do que desempenho

O câmbio CVT e a tração dianteira tornam a condução leve e confortável, ideal para o trânsito urbano e viagens curtas.
O câmbio CVT e a tração dianteira tornam a condução leve e confortável, ideal para o trânsito urbano e viagens curtas.

Na cidade, o Kicks se mostra no elemento certo. Direção leve, posição elevada e boa visibilidade fazem diferença quando o carro vira extensão da rotina. O câmbio CVT prioriza suavidade, não rapidez, e isso agrada quem passa mais tempo em congestionamento do que em estrada aberta.

É nesse uso repetido que o carro começa a se justificar. A economia no abastecimento aparece de forma constante, sem variações bruscas, e isso cria uma sensação de controle financeiro que nem sempre está presente em SUVs mais novos e potentes.

Com o tempo, o foco deixa de ser aceleração e passa a ser previsibilidade. E essa troca nem sempre acontece de forma consciente. Ela simplesmente se impõe.

Espaço que não chama atenção no primeiro dia, mas muda tudo depois

O Nissan Kicks não parece grande à primeira vista. Só que, aos poucos, o espaço começa a se revelar. Com 4,31 metros de comprimento e 2,61 metros de entre-eixos, ele acomoda passageiros sem aperto e entrega um porta-malas de 431 litros, um dos maiores entre os SUVs compactos vendidos no Brasil.

Esse número deixa de ser estatística quando o carro passa a carregar compras grandes, malas de viagem ou compromissos familiares inesperados. A altura em relação ao solo também entra nessa conta silenciosa, permitindo encarar valetas, rampas e ruas irregulares sem preocupação constante com o para-choque.

Até aqui, o Kicks parece resolvido demais para um projeto antigo. Mas é quando o interior começa a ser analisado com mais atenção que surgem as concessões.

Interior simples que não tenta convencer, apenas funciona

Com o uso contínuo, espaço e praticidade ganham peso. O porta-malas de 431 litros e a altura do solo resolvem situações que só aparecem fora do showroom.
Com o uso contínuo, espaço e praticidade ganham peso. O porta-malas de 431 litros e a altura do solo resolvem situações que só aparecem fora do showroom.

Dentro do Kicks, não há tentativa de impressionar. O acabamento é simples, os materiais são funcionais e a proposta é clara. Tudo está onde deveria estar. O ar-condicionado cumpre bem o papel, a ergonomia é intuitiva e a visibilidade ajuda quem dirige em ambientes urbanos cheios.

A ausência de itens como saída de ar para o banco traseiro ou apoio de braço central começa a ser percebida com o uso contínuo, não no primeiro contato. E é nesse ponto que o comprador passa a comparar, muitas vezes sem perceber, com SUVs mais recentes e mais caros.

O problema não é o que o Kicks entrega. É o que ele faz você colocar na balança depois.

Manutenção conhecida e uma relação de confiança construída com o tempo

No pós-venda, o Kicks se beneficia da própria idade. As revisões programadas seguem valores compatíveis com o segmento e a rede já conhece bem o modelo. Peças fora da manutenção básica podem pesar mais, mas a imagem de mecânica durável e baixo histórico de problemas recorrentes ao longo dos anos reduz a chance de gastos inesperados.

Essa previsibilidade cria um tipo específico de vínculo. Não é paixão, é confiança. O carro passa a cumprir exatamente o papel que foi combinado no momento da compra, sem tentar surpreender.

O ponto em que a decisão deixa de ser sobre o carro

O consumo é de 7,7 km/l (etanol) e 11,4 km/l (gasolina) na cidade, com tanque de 41 litros e autonomia de até 562 km.
O consumo é de 7,7 km/l (etanol) e 11,4 km/l (gasolina) na cidade, com tanque de 41 litros e autonomia de até 562 km.

Depois de meses ou anos de convivência, o Nissan Kicks de primeira geração deixa de ser avaliado como produto e passa a ser encarado como ferramenta. Ele não disputa status, não busca protagonismo e não tenta acompanhar cada nova tendência do mercado.

Em algum momento, a comparação muda de direção. A pergunta deixa de ser se ele é melhor do que outros SUVs compactos. Passa a ser se o perfil de quem dirige combina com um carro que privilegia constância, economia e comportamento previsível, mesmo quando o mercado inteiro insiste em vender novidade como solução.

É nesse cenário prático, entre trânsito, abastecimento, viagens e gastos mensais, que a dúvida realmente se forma. Não sobre o Nissan Kicks. Mas sobre o tipo de relação que se espera ter com o próximo carro.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.