CNH sem autoescola obrigatória: Lula autoriza proposta que extingue obrigatoriedade para tirar carteira de habilitação

Lula autorizou proposta que acaba com a exigência de autoescola para CNH. Instrutores autônomos credenciados poderão dar aulas. Medida promete reduzir custos e ampliar acesso à legalização dos motoristas.
Publicado por em Brasil dia

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O governo federal abriu caminho para uma das mudanças mais significativas no sistema de habilitação de condutores desde a criação da Carteira Nacional de Habilitação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu aval para o fim da obrigatoriedade das autoescolas, em um movimento que promete transformar o acesso ao documento e desafiar um modelo consolidado há décadas.

Pontos Principais:

  • Lula autorizou proposta que extingue autoescola obrigatória para CNH.
  • Instrutores autônomos credenciados poderão ministrar aulas práticas e teóricas.
  • Audiência pública de 30 dias será aberta pelo Ministério dos Transportes.
  • Medida promete baratear custos e ampliar acesso à habilitação.

O anúncio, feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, traz como justificativa a necessidade de reduzir custos e tornar o processo mais inclusivo. Hoje, a formação veicular é vista por parte da população como inacessível, não apenas pelo preço, mas também pela rigidez do sistema, que empurra muitos a dirigir sem habilitação.

A medida busca reduzir custos do processo e ampliar o acesso à legalização, permitindo que mais motoristas entrem na formalidade - Zeca Ribeiro/Agência Câmara/Reprodução
A medida busca reduzir custos do processo e ampliar o acesso à legalização, permitindo que mais motoristas entrem na formalidade – Zeca Ribeiro/Agência Câmara/Reprodução

Pela proposta, instrutores autônomos, devidamente credenciados e aprovados em exame aplicado pelo governo federal, poderão ministrar tanto aulas práticas quanto teóricas. Essa abertura, segundo o ministério, não significa a eliminação da capacitação, mas a diversificação de opções para os candidatos à CNH.

O próximo passo será a abertura de uma audiência pública, marcada para esta quinta-feira, 2 de outubro, com duração de 30 dias. Após o período de consultas, caberá ao Contran formalizar a medida em resolução, consolidando as novas regras. A expectativa é que o debate envolva especialistas, associações de trânsito, entidades de autoescolas e a própria sociedade civil.

Renan Filho classificou o atual modelo como “excludente”, comparando-o à exigência de que apenas quem passa por cursinhos privados pudesse prestar vestibulares em universidades públicas. A analogia busca reforçar o argumento de que a obrigatoriedade cria barreiras sociais e amplia a desigualdade, afastando milhões de brasileiros da legalidade.

O ministro também destacou que o número de condutores que dirigem sem habilitação é um problema recorrente no país. Para ele, flexibilizar o processo não representa risco maior à segurança viária, desde que haja avaliação rigorosa, mas pode reduzir os índices de irregularidade e aproximar motoristas da formalidade.

Essa mudança sinaliza uma reconfiguração no setor das autoescolas, que até hoje detêm o monopólio da formação. Com a entrada de instrutores independentes, a concorrência pode alterar preços, dinâmicas de ensino e até a percepção da sociedade sobre a CNH. O governo aposta em um processo mais democrático, mas a transição deve enfrentar resistências e questionamentos, principalmente entre empresários do setor.

Fonte: Estadao, Oglobo e Infomoney.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.