Casal faz 3 000 km do Paraná ao Amazonas em Corcel 1977 para entregar carro

Casal de Toledo (PR) percorre quase 3 000 km em nove dias no clássico Ford Corcel 1977 até Humaitá (AM) para entregar o veículo ao comprador, enfrenta estradas, calor e ausência de ar-condicionado, sem falhas no motor nem no câmbio.
Publicado por em Brasil dia

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Hilário Zaltron e Janete Niedermeyer partiram de Toledo no oeste do Paraná com um veículo raro, um Ford Corcel 1977, para entregar pessoalmente o carro ao irmão de Hilário, em Humaitá, no Amazonas. Na rota de cerca de três mil quilômetros a aventura misturou logística, resistência mecânica e o charme retrô de um clássico brasileiro, ao mesmo tempo em que revelava aspectos pouco vistos em road trips modernas.

Pontos Principais:

  • Casal percorre aproximadamente 3 000 km entre o Paraná e o Amazonas no Ford Corcel 1977.
  • Viagem durou nove dias, sem ar-condicionado, o que intensificou o desafio.
  • Veículo de quase 50 anos e mais de 100 mil quilômetros rodados não apresentou falhas.
  • Entregue em Humaitá, o carro seguirá de balsa até Manaus, dada a dificuldade da estrada.
  • Nas paradas o clássico chamou atenção e despertou interesse de outros motoristas.

Sem ar-condicionado e com mais de 100 mil quilômetros rodados, o Corcel acompanhou o casal por cerca de 600 quilômetros por dia ao longo de nove jornadas. As paradas incluíram Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Vilhena e Ariquemes (RO), antes da chegada ao destino. Na reta final, a travessia exige ainda transporte fluvial via balsa, o que reforça as dificuldades logísticas para levar um carro antigo até a região Norte.

Hilário Zaltron e Janete Niedermeyer saíram de Toledo, no Paraná, a bordo de um Ford Corcel 1977, com destino a Humaitá, no Amazonas, para entregar o carro ao novo dono.
Hilário Zaltron e Janete Niedermeyer saíram de Toledo, no Paraná, a bordo de um Ford Corcel 1977, com destino a Humaitá, no Amazonas, para entregar o carro ao novo dono.

Produzido entre 1968 e 1986 no Brasil, o Corcel conquistou o prêmio “Carro do Ano” em 1969, 1973 e 1979, o que evidenciou sua importância histórica na indústria automotiva nacional. Mesmo após 48 anos de fabricação, o exemplar utilizado na viagem sai da curva de descartabilidade dos clássicos e entra no território da robustez e da cultura automotiva. Sobre a ausência de ar-condicionado o casal comenta que foi o maior desafio — ainda assim o veículo não apresentou falha mecânica ou interrupção inesperada, apenas abastecimentos regulares.

Além do percurso em si, a viagem virou atração nas rodovias: curiosos abordavam o casal para admirar o Corcel, elogiar a coragem e até fazer ofertas de compra. Essa reação expõe o resgate cultural de modelos de outra época e o valor emocional que tais automóveis mantêm para entusiastas e público geral. A viagem funcionou como ponte entre gerações e regiões do país.

A etapa final exige que o carro siga de balsa entre Humaitá e Manaus, dado que a estrada se torna, em alguns trechos, de chão e inviável para uso prolongado. Essa configuração geográfica reforça os contrastes entre o Centro-Oeste e Norte brasileiros e evidencia o desafio de transportes em regiões menos urbanizadas. O trajeto de retorno para o casal foi de avião, uma decisão prática após concluir a entrega e permitir evitar o desgaste de viagem de volta no mesmo automóvel.

Do ponto de vista técnico e simbólico, a empreitada resgata a noção de que resistência mecânica, planejamento e espírito aventureiro ainda têm lugar no universo automotivo tradicional. A opção por conduzir o automóvel ao invés de contratar frete mostra uma combinação de fatores emocionais, econômicos e de logística que raramente aparecem em narrativas convencionais de compra e venda de carros. O Corcel não foi apenas meio de locomoção, mas protagonista de uma jornada que atravessa biomas, estados e memórias.

Fonte: G1.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.