EUA pressionam por acesso ao lítio e terras raras do Brasil em meio à crise com Trump

Em plena crise diplomática com os EUA, governo americano volta a demonstrar interesse nos minerais estratégicos brasileiros, como lítio e terras raras, essenciais à transição energética.
Publicado por em Brasil dia

Siga o Carro.blog.br no Google e receba notícias automotivas exclusivas!

O encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, voltou a expressar interesse direto do governo americano nos chamados minerais críticos e estratégicos do país. A declaração foi feita durante encontro com representantes do setor privado, conforme relatou Raul Jungmann, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa as principais mineradoras nacionais.

Pontos Principais:

  • Gabriel Escobar reafirma interesse dos EUA em minerais estratégicos do Brasil.
  • Movimentação ocorre em meio à crise diplomática causada pela tarifa de 50% de Trump.
  • Brasil tem segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China.
  • Recursos como lítio, nióbio e grafite são essenciais para a transição energética global.
  • Negociação oficial com governos estrangeiros cabe apenas ao governo federal.
  • Desafio brasileiro é agregar valor aos minérios e fortalecer a indústria local.

Esse interesse, segundo Jungmann, já havia sido manifestado anteriormente há cerca de três meses, e se repete agora justamente no momento em que Brasil e Estados Unidos enfrentam uma grave crise diplomática, provocada pela imposição unilateral de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, com vigência marcada para o dia 1º de agosto.

O Brasil detém as maiores reservas de terras raras fora da China, minerais essenciais para chips, energia limpa, carros elétricos e armamentos.
O Brasil detém as maiores reservas de terras raras fora da China, minerais essenciais para chips, energia limpa, carros elétricos e armamentos.

O contexto geopolítico amplia a relevância dessa movimentação. A China, que domina a cadeia global de produção de terras raras, suspendeu suas exportações desses elementos aos Estados Unidos. Diante disso, os americanos passaram a reforçar a busca por fontes alternativas — e o Brasil desponta como peça central nesse novo xadrez, por deter a segunda maior reserva mundial de terras raras.

Embora Escobar não tenha falado em acordos formais, o recado foi claro. Para o governo dos EUA, o acesso aos minerais brasileiros é de interesse estratégico. Mas o Ibram deixou claro que não cabe à iniciativa privada negociar acordos governamentais e que, do lado brasileiro, qualquer negociação oficial deve passar pelo Executivo federal.

O Brasil possui, além das terras raras, reservas expressivas de lítio, nióbio, cobre, grafite, urânio e cobalto — todos essenciais para tecnologias de ponta, da fabricação de chips e baterias de carros elétricos a equipamentos militares e sistemas de geração de energia limpa. A transição energética e a corrida tecnológica global ampliam a pressão por acesso seguro e diversificado a esses insumos.

Apesar do potencial natural e técnico brasileiro, um dos desafios centrais segue sendo transformar essa vantagem geológica em desenvolvimento industrial. Isso envolve superar a lógica puramente extrativista, investir em tecnologia nacional, atrair parcerias estratégicas e garantir que o refino e o valor agregado dos minérios sejam realizados no próprio país.

O governo Lula já acena para essa direção, com iniciativas voltadas à transformação mineral e estímulo à cadeia produtiva interna. Com o cenário internacional cada vez mais polarizado e tenso, o Brasil pode se tornar protagonista — ou alvo — nessa nova corrida global por matérias-primas críticas.

Fonte: Gov, G1 e Wikipedia.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.