Governo descobre padrão de cartel que afeta preço dos combustíveis no Brasil

Nova portaria do Cade promete fiscalizações rigorosas em postos, com apoio da PF, Receita e ANP. Objetivo é combater cartéis e trazer mais transparência nos preços.
Publicado por em Brasil dia

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu início a uma nova frente de atuação contra cartéis em postos de combustíveis no Brasil. A medida, oficializada por portaria em 23 de julho de 2025, estabelece o setor como prioridade absoluta pelos próximos dois anos. O foco da ofensiva está em identificar e punir práticas anticompetitivas, como acordos de preços entre redes de postos, que historicamente impactam o consumidor e distorcem o mercado.

Pontos Principais:

  • Cade coloca o setor de combustíveis como prioridade até 2027.
  • Investigações contarão com apoio da PF, Receita Federal, ANP e AGU.
  • Objetivo é combater cartéis e dar transparência ao preço dos combustíveis.
  • Estados como DF, SP, RS e AM já tiveram redes multadas por práticas ilegais.

A decisão partiu de uma solicitação conjunta da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério de Minas e Energia (MME), refletindo uma pressão crescente do governo federal para atacar distorções no mercado de combustíveis. O Cade, por meio de sua Superintendência-Geral e Departamento de Estudos Econômicos, deverá liderar investigações em parceria com outros órgãos estratégicos como a Polícia Federal, Receita Federal, ANP e secretarias estaduais da Fazenda.

O Cade decidiu tornar o setor de combustíveis prioridade nacional até 2027. O foco é combater cartéis e práticas anticompetitivas que afetam o bolso do consumidor - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O Cade decidiu tornar o setor de combustíveis prioridade nacional até 2027. O foco é combater cartéis e práticas anticompetitivas que afetam o bolso do consumidor – Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O plano prevê ações coordenadas, revisão de estudos econométricos e reavaliação do Caderno Setorial sobre Distribuição e Varejo de Combustíveis Líquidos. A atualização das análises deve fornecer uma nova leitura sobre a estrutura do setor e suas vulnerabilidades. As informações obtidas nas investigações serão compartilhadas entre as instituições envolvidas, com a promessa de maior agilidade nas ações de combate.

Um dos pilares da nova estratégia é a transparência. O Cade pretende intensificar a coleta e cruzamento de dados fiscais, incluindo notas fiscais eletrônicas, a fim de mapear o comportamento dos preços em tempo real. A intenção é desmantelar acordos disfarçados que elevam os valores para o consumidor final sem justificativa técnica ou econômica.

A atuação do Cade no setor já possui histórico relevante. Em julho, o órgão condenou sete redes do Distrito Federal por formação de cartel, impondo multas que somam R$ 155 milhões. Em 2017, outro caso emblemático resultou em acordos que somaram R$ 90 milhões e a adoção de compromissos estruturais para preservar a concorrência. Situações semelhantes foram registradas em estados como São Paulo, Maranhão, Amazonas e Piauí.

No Estado de São Paulo, o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-SP) também intensificou ações de fiscalização. Investimentos foram direcionados à instalação de bombas medidoras com maior nível tecnológico, reforçando o combate a fraudes de quantidade e à adulteração de combustíveis.

Para o presidente do Cade, Gustavo Augusto, a medida é um avanço institucional que coloca o consumidor no centro das preocupações. Segundo ele, os combustíveis são insumos estratégicos que impactam toda a economia, e a repressão a práticas colusivas contribui para um ambiente mais competitivo e saudável.

Fonte: Agenciagov.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.