PCC usa metanol para adulterar combustíveis e expõe riscos graves à frota no Brasil

Operação revela esquema do PCC que importava metanol para adulterar combustíveis. Substância barata e difícil de detectar causa perda de desempenho, corrosão, poluição e riscos à saúde.
Publicado por em Brasil dia

Siga o Carro.blog.br no Google e receba notícias automotivas exclusivas!

A megaoperação que revelou o envolvimento da facção criminosa PCC em um esquema de adulteração de combustíveis expôs uma prática de alto risco para motoristas e para a saúde pública. O grupo importava metanol em larga escala para misturar em gasolina e etanol, aproveitando o baixo custo de produção do composto, derivado do gás natural, e a dificuldade de detecção nos testes tradicionais de fiscalização.

Pontos Principais:

  • PCC importava metanol para adulterar gasolina e etanol no Brasil.
  • Substância é barata, difícil de detectar e prejudica o rendimento dos veículos.
  • Em alguns postos, a mistura chegava a 90%, quando o limite legal é 0,5%.
  • Riscos incluem superaquecimento do motor, corrosão e poluição elevada.

Especialistas destacam que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite apenas até 0,5% de metanol nos combustíveis, por ele poder surgir como subproduto na produção do etanol. No entanto, em alguns postos investigados, a concentração chegava a até 90%, transformando o abastecimento em um risco oculto para motoristas e veículos. O problema se agrava porque, ao contrário da água, o metanol não se separa do combustível nos testes, dificultando sua identificação.

O combustível certo deve ser o etanol de cana-de-açúcar, autorizado e regulado pela ANP, que garante maior rendimento, menor poluição, segurança ao motor e confiabilidade ao consumidor - Marcelo Camargo/Agência Brasil
O combustível certo deve ser o etanol de cana-de-açúcar, autorizado e regulado pela ANP, que garante maior rendimento, menor poluição, segurança ao motor e confiabilidade ao consumidor – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A diferença entre metanol e etanol está não apenas na origem, mas no desempenho energético. O etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, fornece até 25% mais energia que o metanol, derivado do gás natural. Na prática, quem pensa estar enchendo o tanque com etanol, mas recebe metanol, roda menos e sofre queda imediata no rendimento do carro.

Além da perda de desempenho, os danos mecânicos são severos. Motores calibrados para etanol sofrem com mistura pobre, combustão mais lenta e excesso de calor, o que pode levar ao superaquecimento, queima de válvulas e até derretimento de velas de ignição. O efeito corrosivo do metanol também compromete plásticos e borrachas, exigindo troca de componentes em pouco tempo.

O impacto ambiental é igualmente preocupante. A combustão inadequada gera maior volume de poluentes, enquanto um derramamento no solo faz o metanol penetrar rapidamente até o lençol freático, contaminando reservas de água potável. A toxicidade do composto amplia os riscos, afetando tanto a mecânica quanto a saúde humana.

Os tipos de metanol variam em sustentabilidade. O cinza, derivado do gás natural ou carvão, é o mais comum e poluente. O azul, produzido com captura parcial de carbono, reduz emissões, mas ainda depende de fonte fóssil. Já o verde, obtido por meio de hidrogênio limpo e CO₂ com energia renovável, é considerado a versão mais sustentável. No entanto, nenhum deles deve ser usado de forma fraudulenta em veículos sem adaptação.

A indústria automotiva já utilizou metanol como combustível, principalmente na Fórmula Indy, onde foi empregado até 2022 antes da migração para etanol 100% renovável. Apesar de seu potencial para alta performance, a corrosão sempre foi um obstáculo ao uso em larga escala em carros comuns. Hoje, sua presença irregular nos postos representa não inovação, mas um crime que ameaça diretamente motoristas e o meio ambiente.

Fonte: G1 e UOL.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.