OPINIÃO: 26 de julho dia dos avós; como o Brasil ignora seus avós enquanto celebra com bolo e flores o dia de hoje

Nem todo abraço de neto cura a negligência estatal. No Dia dos Avós, o Brasil precisa mais que afeto: precisa cuidar.
Publicado por em Brasil e Opinião dia | Atualizado em

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No Dia dos Avós, 26 de julho, o Brasil não está só celebrando o carinho de quem oferece balas escondidas e conta histórias do tempo “em que tudo era mato”. A data escancara um debate urgente: como estamos lidando com o envelhecimento da população em uma sociedade que ainda idolatra a juventude e marginaliza rugas, bengalas e cabelos brancos.

Pontos Principais:

  • 26 de julho é Dia dos Avós, mas pouco se fala sobre suas reais condições de vida.
  • O Brasil já tem mais idosos do que jovens de 15 a 24 anos.
  • A maior parte dos avós brasileiros sustenta famílias e sofre com negligência.
  • O Estatuto do Idoso é ignorado no cotidiano da saúde, segurança e transporte.
  • Há urgência em transformar carinho em política pública concreta para quem envelhece.

Enquanto a estética do “eternamente jovem” dita padrões até nas redes sociais, mais de 30 milhões de brasileiros com mais de 60 anos encaram o país real — aquele em que filas do SUS, aposentadorias precárias e lares negligenciados se tornam rotina. A imagem idealizada do vovô feliz com o netinho no colo esconde, muitas vezes, uma rotina de abandono, invisibilidade e solidão. Ser idoso no Brasil é, quase sempre, um exercício de resistência.

O Dia dos Avós virou uma data decorativa, enquanto o país ignora que a terceira idade está sendo esmagada por negligência, abandono e sobrecarga emocional.
O Dia dos Avós virou uma data decorativa, enquanto o país ignora que a terceira idade está sendo esmagada por negligência, abandono e sobrecarga emocional.

A romantização do papel dos avós como figuras doces e disponíveis esbarra no cenário concreto: boa parte deles sustenta famílias inteiras, cuida de netos em tempo integral e ainda é vítima de violência dentro de casa. É o afeto sobrecarregado. O carinho, sim — mas muitas vezes sem suporte, sem rede, sem política pública que banque esse afeto quando ele se torna insustentável sozinho.

Há também uma mudança de perfil: os avós de 2025 não são os mesmos dos anos 1990. Têm redes sociais, praticam yoga, viajam, têm vida sexual ativa e, muitas vezes, precisam lutar para serem levados a sério como adultos com desejo, opinião e autonomia. O problema é que a estrutura social ainda trata o idoso como um ser passivo, dependente e desprovido de desejo. Um erro crasso.

O que deveria ser uma celebração da experiência e da memória vira, ano após ano, um lembrete incômodo: falhamos em transformar o Brasil em um país amigo dos idosos. As leis existem, os estatutos estão aí, mas o cotidiano mostra que garantir dignidade para quem envelhece ainda está mais no papel do que na prática. É bonito postar foto com a avó no Instagram — mais difícil é garantir que ela tenha atendimento médico digno e companhia fora do Natal.

Neste 26 de julho, talvez o mais honesto não seja presentear com flores, mas com escuta, com presença e, principalmente, com cobrança política. Porque cuidar de quem cuida é mais que gesto simbólico. É urgência social.

Fonte: Wikipedia, Senado, Agenciagov e Gov.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.