Move Brasil trava no crédito e frustra motoristas que tentam financiar carro novo
O Move Brasil Táxi e Aplicativos começou oficialmente em 19 de junho com promessa de facilitar a compra de carros de até R$ 150.000 por taxistas e motoristas de aplicativo, mas a largada do programa virou reclamação em concessionárias, com poucos cadastros pré-aprovados, crédito parado e clientes sem resposta clara sobre a liberação do financiamento.
A procura apareceu rápido, principalmente no fim de semana seguinte ao início das operações, quando motoristas foram às lojas atrás das condições especiais, mas vendedores ouvidos pela Quatro Rodas relatam que a maioria dos interessados não consegue avançar, mesmo quando cumpre os requisitos básicos do programa.
Motoristas reclamam de crédito negado mesmo com cadastro apto
O programa permite a participação de taxistas, cooperativas de táxi e motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e, no caso dos apps, ao menos 100 corridas concluídas nesse período na mesma plataforma, mas a aprovação inicial no gov.br não garante o financiamento, porque a decisão final passa pelos bancos.

Segundo relatos de concessionárias, há pedidos feitos, mas parte das operações aguarda integração com o BNDES, sem prazo definido, o que deixou clientes insatisfeitos e vendedores sem resposta para quem já escolheu carro e tenta fechar negócio.
Boulos diz que bancos usam score e cobram entrada
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o Move Brasil enfrenta três problemas principais, a rejeição de cadastros mesmo com nome limpo, a cobrança de entrada por bancos e a falha no link automático que deveria conectar as instituições financeiras ao BNDES.
Para Boulos, o uso de score, rating e taxa de risco pelos bancos dificulta o acesso ao crédito, embora o programa tenha fundo garantidor do governo, e a cobrança de entrada não deve ser aceita como obrigação, já que o desenho do programa não exige sinal obrigatório do motorista.
BNDES diz que programa funciona, mas aprovação é gradual
O BNDES afirmou que o Move Brasil segue em funcionamento, com operações pela rede de instituições financeiras credenciadas, e disse que a aprovação ocorre de forma gradual, porque envolve habilitação, análise de crédito e contratação junto aos agentes financeiros.
O banco também informou que os números consolidados de desempenho ainda estão em apuração e serão divulgados posteriormente, enquanto a Febraban foi procurada pela Quatro Rodas, mas não respondeu até a publicação da reportagem.
Juros podem chegar a 0,99% ao mês
Segundo a QuatroRodas, as taxas previstas são de até 0,99% ao mês para homens e até 0,91% ao mês para mulheres, com prazo de financiamento de até 72 meses e carência de até seis meses, mas o percentual financiado, os prazos e a forma de pagamento dos juros ficam sob responsabilidade da instituição financeira.

Entre os modelos habilitados estão carros de marcas como BYD, Chevrolet, GWM, Honda, Hyundai, Nissan, Geely, Renault, Citroën, Fiat, Jeep, Peugeot, Toyota e Volkswagen, incluindo opções como Dolphin, Onix, Tracker, City Hatchback, City Sedan, HR-V, Creta, HB20, Kicks, Kardian, Kwid, Argo, Cronos, Fastback, Pulse, Renegade, 208, Yaris Cross, Polo, Saveiro, T-Cross, Tera e Virtus.
Por enquanto, Banco do Brasil, Banco GM, Banco Stellantis, Banco Volkswagen, Banrisul, Sicoob e Sicredi aparecem entre as instituições já operando, enquanto outras manifestaram interesse, como Banco Honda, Banco Hyundai, Banco Pan, Safra, Santander, Banco Toyota, Caixa e C6 Bank.
Para o motorista, o caminho começa no cadastro pelo gov.br/movebrasil, com resposta em até cinco dias pela caixa postal do gov.br, mas a etapa decisiva continua no banco, onde o financiamento pode ser recusado mesmo depois da habilitação inicial no programa.
“O Move Brasil nasceu para tirar motorista do aluguel e colocar carro próprio na garagem, mas esbarrou no mesmo portão de sempre, a mesa do banco, onde promessa pública vira análise fria de risco, entrada e score.”– Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo
Foto de capa: Marcelo Camargo/Agência Brasil.


































