Salão do Automóvel 2025: confira os principais lançamentos do 1º dia
O Salão do Automóvel de 2025 voltou a colocar o Brasil no centro da conversa global sobre mobilidade. Depois de sete anos, o Anhembi voltou a receber um fluxo de lançamentos que redesenha o mapa de eletrificação, reposiciona marcas tradicionais e acelera a disputa por espaço entre chinesas, europeias, japonesas e coreanas. O evento não trouxe apenas vitrines chamativas, mas um recorte claro de como o mercado nacional pretende caminhar nos próximos anos, misturando híbridos, elétricos, SUVs grandes, modelos urbanos e esportivos renascidos.
O primeiro dia de apresentações mostrou que não existe mais território estável na indústria. De Renault a Toyota, de Geely a Honda, cada marca buscou marcar presença com estratégias próprias, muitas delas já mirando produção local, técnicas de eletrificação distintas e propostas que conversam com públicos completamente diferentes. Esse mosaico revela as intenções de cada fabricante e como o consumidor brasileiro se tornou peça decisiva em decisões globais.
Renault e a estratégia de reforço local com o Koleos híbrido

A Renault voltou aos holofotes ao revelar o Koleos, SUV híbrido de grande porte que chega no primeiro semestre de 2026. O modelo nasce da colaboração direta com a chinesa Geely e mostra a intenção clara de reposicionar a marca em segmentos onde perdeu presença. A estratégia envolve investimento para adaptar a fábrica de São José dos Pinhais e acelerar a produção de veículos eletrificados.
Por que a Renault insiste em um híbrido grande
- O segmento é dominado por modelos chineses com forte pacote tecnológico.
- A marca busca um produto que recupere competitividade acima do Kardian.
- A parceria com a Geely encurta tempo de desenvolvimento e reduz custos.
Geely inicia produção no Brasil e consolida ambição

A Geely trouxe ao pavilhão o EX5, SUV médio que será produzido no país a partir do próximo ano. Antes disso, será vendido importado, mas a decisão de fabricar localmente muda o jogo. A marca não quer atuar apenas como coadjuvante na parceria com a Renault. O EX5 EM I, híbrido plug in, e o recém lançado EX2 confirmam essa estratégia de diversificação crescente dentro da gama.
O impacto da chegada da Geely
- Estabelece presença industrial e reduz dependência de importação.
- Amplia a oferta de SUVs elétricos e híbridos com foco em custo operacional.
- Coloca pressão sobre Jeep Compass e demais modelos consolidados.
Jaecoo reforça ofensiva com SUVs híbridos e proposta própria
A Jaecoo apresentou os SUVs 5 e 8. O primeiro aposta em simplicidade e conjunto híbrido tradicional com cerca de 200 cv. O 8 segue caminho oposto: maior porte, interior mais sofisticado e foco em conforto para até seis ocupantes. A marca tenta ocupar espaços que outras fabricantes deixaram vazios, oferecendo diversidade em uma faixa antes dominada por japoneses e coreanos.
GWM amplia o portfólio premium com Tank 700 e Wey G9 Max

A GWM adotou postura agressiva. O Tank 700 surge como opção de luxo com apetite off road, enquanto a perua Wey G9 Max apresenta um pacote de conforto que não existia nessa categoria no país. Bateria de 51 kWh, interior repleto de ajustes elétricos e recursos como geladeira e TV embutida mostram que a marca não trabalha com meio termo.
O que muda com os novos modelos da GWM
- Expande a presença no segmento de luxo com identidade própria.
- Prepara terreno contra a recém chegada Denza, divisão premium da BYD.
- Reforça o discurso de multitecnologia da marca no mercado brasileiro.
Honda revive o Prelude e amplia presença entre SUVs compactos

Depois de 24 anos, o Honda Prelude volta como cupê híbrido plug in com 203 cv. O modelo conviverá com o Civic Type R, trazendo um caráter mais emocional para uma linha atualmente dominada por SUVs. A Honda também exibiu o WR V, que já está no mercado e compete diretamente com Kardian, Creta, Tracker, Pulse e afins.
Por que o retorno do Prelude importa
- Representa resgate de um ícone esportivo adaptado à eletrificação.
- Equilibra o portfólio, que vinha perdendo espaço em produtos de nicho.
- Fortalece a marca entre entusiastas em um cenário dominado por SUVs.
Hyundai mira o topo com o elétrico de sete lugares Ioniq 9
O Ioniq 9, ainda sem data oficial, chega com autonomia de 620 km e bateria de 110,3 kWh. O modelo oferece capacidade para sete ocupantes e recursos avançados de assistência. Além do desempenho, destaca o sistema elétrico que pode alimentar dispositivos externos, algo cada vez mais procurado em longas viagens e uso recreativo.
Toyota consolida a liderança nos híbridos com o Yaris Cross

A Toyota exibiu o Yaris Cross, que estreia em fevereiro de 2026 com quatro versões, incluindo duas híbridas flex. É o primeiro SUV compacto do país com essa combinação. A marca reforça sua liderança em tecnologia híbrida e entra de forma mais competitiva em um segmento dominado por modelos urbanos. O Yaris GR, compacto esportivo, também marcou presença e mostra que a marca mantém atenção ao público mais entusiasta.
A estratégia por trás do Yaris Cross
- Leva o híbrido flex a um segmento de grande volume.
- Cria ponte direta com consumidores que buscam eficiência real no uso diário.
- Amplia o alcance da marca sem depender de modelos maiores como Corolla Cross.
O Salão volta a ser termômetro do mercado brasileiro
A reabertura do Anhembi transformou o evento em um grande mapa das intenções futuras das marcas. A Drive Experience, com pista própria e múltiplos testes, ajuda visitantes a aproximar tecnologia do uso real, algo fundamental para aceitação da eletrificação no país. Mais de 40 modelos estarão disponíveis, reforçando que a indústria aprendeu com a ausência do evento e voltou mais preparada.
O conjunto de lançamentos mostra que o Brasil deixou de ser apenas observador. As marcas agora tratam o país como laboratório estratégico para híbridos, elétricos e SUVs de novos formatos. O público ganha diversidade e tecnologia, enquanto a indústria organiza seus próximos passos em um mercado que exige eficiência, preço competitivo e relevância global.


































