Jeep Compass Longitude vale R$ 200 mil? Teste revela consumo de 8,9 km/l na cidade, desempenho na estrada e o peso de enfrentar híbridos em 2026

Publicado por em Jeep dia
Jeep Compass Longitude vale R$ 200 mil? Teste revela consumo de 8,9 km/l na cidade, desempenho na estrada e o peso de enfrentar híbridos em 2026

O Jeep Compass Longitude continua ocupando uma posição que poucos modelos conseguiram manter por tanto tempo: é o SUV médio mais vendido do Brasil, mas agora precisa defender essa liderança sem a antiga versão diesel e diante de concorrentes híbridos que avançam com rapidez. O teste da configuração de cerca de R$ 200 mil mostra que a mudança de cenário não alterou apenas a gama do modelo. Ela mexeu diretamente com a conta feita pelo motorista antes de entrar na concessionária.

A versão Longitude utiliza o motor 1.3 turbo flex, câmbio automático de seis marchas e não recebeu o sistema híbrido leve de 48 volts adotado em versões de Renegade e Commander. Isso significa que o conjunto mecânico precisa lidar sozinho com os 1.585 kg do Compass, peso que aparece de forma clara principalmente no trânsito urbano.

O Jeep Compass Longitude 2026 custa cerca de R$ 200 mil, perdeu a versão diesel e agora usa apenas o motor 1.3 turbo flex de 176 cv e 27,5 kgfm.
O Jeep Compass Longitude 2026 custa cerca de R$ 200 mil, perdeu a versão diesel e agora usa apenas o motor 1.3 turbo flex de 176 cv e 27,5 kgfm.

Por causa das regras de emissões, a potência do motor caiu de 185 cv para 176 cv. O torque permaneceu em 27,5 kgfm, mas a recalibração não trouxe uma melhora nos dados oficiais de consumo. Segundo o Inmetro, o Compass registra 10,4 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, os números são de 7,1 km/l no percurso urbano e 8,7 km/l no rodoviário.

O consumo do Compass no trânsito urbano

Foi fora do laboratório que a diferença começou a aparecer. Durante pouco mais de 230 km rodados com gasolina, ar-condicionado ligado e trânsito urbano, o computador de bordo indicou média de 8,9 km/l. O percurso incluiu congestionamentos e trechos de anda e para, situação comum nas grandes cidades e pouco favorável a um SUV pesado com motor turbo.

O teste urbano percorreu pouco mais de 230 km com gasolina e ar-condicionado ligado. A média registrada foi de 8,9 km/l em congestionamentos.
O teste urbano percorreu pouco mais de 230 km com gasolina e ar-condicionado ligado. A média registrada foi de 8,9 km/l em congestionamentos.

Nesse cenário, o auto hold teve participação importante no conforto. O sistema mantém o veículo parado sem exigir pressão constante sobre o pedal do freio, reduzindo o cansaço quando o fluxo avança poucos metros e volta a parar. Não melhora o consumo, mas torna menos desgastante a rotina em que o Compass apresenta seu lado menos eficiente.

O peso também influencia as saídas. Para retirar o SUV da inércia, o motor costuma ultrapassar 2.500 rpm antes de entregar uma resposta mais consistente. Mesmo com turbo e injeção direta, o Longitude não transmite a sensação de arrancada imediata que os números de potência poderiam sugerir.

“Comprar o Jeep Compass Longitude exige olhar além do emblema e da liderança entre os SUVs médios. Ele viaja bem, ganha fôlego na estrada e custa menos que algumas versões de modelos menores, mas os 8,9 km/l registrados na cidade pesam no orçamento de quem enfrenta congestionamentos todos os dias. Por cerca de R$ 200 mil, eu faria a conta do combustível antes de decidir, porque os híbridos já deixaram de ser uma alternativa distante e cara.” – Opinião do Autor

A aceleração chega de forma progressiva. Parte disso está ligada à calibração do pedal, feita para retardar a entrega e ajudar no controle das emissões. Na prática, o motorista precisa pressionar o acelerador e aguardar uma reação que não é lenta a ponto de comprometer o uso, mas também está longe de ser agressiva.

Na estrada, o SUV muda de comportamento

O Compass encontra um ambiente mais favorável quando deixa o trânsito urbano. Em uma viagem de ida e volta entre São Paulo e Elias Fausto, no interior paulista, o Longitude percorreu 233,5 km e fechou o trajeto com média de 12,4 km/l. Em determinado momento, o computador de bordo chegou a mostrar 15 km/l, mas o número caiu até a conclusão do percurso.

Na estrada, o Compass melhorou. Após 233,5 km entre São Paulo e Elias Fausto, o computador de bordo fechou o percurso com média de 12,4 km/l.
Na estrada, o Compass melhorou. Após 233,5 km entre São Paulo e Elias Fausto, o computador de bordo fechou o percurso com média de 12,4 km/l.

A viagem incluiu rodovias com limite de até 120 km/h. Acima dos 80 km/h, o comportamento muda de forma perceptível. O motor trabalha com mais naturalidade, as respostas deixam de parecer tão contidas e há fôlego suficiente para ultrapassagens e subidas.

Essa diferença entre cidade e estrada ajuda a explicar o Compass atual. Ele não é um SUV que recompensa o motorista nos deslocamentos curtos e congestionados, mas se mostra mais confortável quando mantém velocidade constante. O problema é que o comprador de um veículo nessa faixa de preço já encontra alternativas que prometem reduzir justamente o gasto diário nos centros urbanos.

Concorrência híbrida mudou a comparação

O Compass já disputou mercado com híbridos que custavam R$ 30 mil ou R$ 50 mil a mais. Essa distância diminuiu. O Haval H6 One, citado como um dos concorrentes mais diretos nessa nova realidade, utiliza sistema híbrido pleno flex, dispensa recarga externa e registra média de 15,8 km/l na cidade.

Acima dos 80 km/h, o SUV fica mais solto e entrega fôlego para ultrapassagens e subidas, comportamento diferente das respostas graduais em baixa velocidade.
Acima dos 80 km/h, o SUV fica mais solto e entrega fôlego para ultrapassagens e subidas, comportamento diferente das respostas graduais em baixa velocidade.

Além do consumo, veículos híbridos podem ter benefícios como isenção de IPVA, dependendo do estado, e liberação do rodízio municipal em cidades como São Paulo. Esses fatores transformaram a discussão. A escolha deixou de ser apenas entre preço, desempenho e tamanho e passou a envolver tributação, circulação e gasto mensal com combustível.

A resposta da Jeep foi pressionar os preços. O Compass Longitude custa cerca de R$ 200 mil e fica R$ 14 mil abaixo do Honda HR-V Touring, anunciado por R$ 214 mil. A estratégia torna o SUV médio mais acessível do que modelos menores em versões mais caras, mas também mostra o tamanho da disputa por compradores que agora analisam cada abastecimento.

Dado Jeep Compass Longitude 2026
Motor 1.3 turbo flex
Potência 176 cv
Torque 27,5 kgfm
Câmbio Automático de seis marchas
Peso 1.585 kg
Consumo no teste urbano 8,9 km/l com gasolina
Consumo no teste rodoviário 12,4 km/l com gasolina

O que pesa na decisão de compra

A liderança do Compass não está sustentada apenas pelo consumo. O modelo construiu presença no mercado, consolidou sua imagem entre os SUVs médios e ainda oferece desempenho rodoviário compatível com viagens e ultrapassagens. A dificuldade aparece quando essa reputação precisa enfrentar concorrentes que entregam números urbanos melhores sem exigir uma diferença tão grande de preço.

Com 1.585 kg, o SUV exige mais giro para sair do lugar. No trânsito, o motor costuma passar das 2.500 rpm antes de entregar uma resposta mais firme.
Com 1.585 kg, o SUV exige mais giro para sair do lugar. No trânsito, o motor costuma passar das 2.500 rpm antes de entregar uma resposta mais firme.

O Longitude também ocupa uma posição intermediária delicada. Ele é mais barato do que algumas versões superiores de SUVs compactos, mas custa o suficiente para ser comparado diretamente com modelos eletrificados. Quem roda mais em estradas tende a encontrar médias mais próximas das oficiais. Quem concentra o uso em congestionamentos verá com mais frequência números perto dos 8,9 km/l registrados no teste.

A Jeep já mostrou fora do Brasil qual caminho pretende seguir. A terceira geração do Compass estreou em outros mercados com versões elétrica, híbrida e a combustão. Enquanto essa nova fase não chega ao mercado brasileiro, o modelo vendido por aqui continua apoiado no motor 1.3 turbo flex e em uma política de preços que tenta preservar sua liderança diante de rivais cada vez mais econômicos.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.

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