O mercado brasileiro se acostumou a chamar quase tudo de SUV, mas a classificação nem sempre bate com a construção dos modelos vendidos nas concessionárias, e essa diferença ajuda a entender por que carros como Chevrolet Tracker, Hyundai Creta e Volkswagen T-Cross ocupam uma zona que muita gente conhece pelo nome errado.
O termo crossover aparece quando um carro mistura características de mais de uma carroceria, geralmente com base de hatch, visual mais alto, postura de utilitário e uso voltado para cidade, sem a mesma construção tradicional de um utilitário esportivo derivado de picape.
No caso do Chevrolet Tracker, a ligação com o hatch fica clara porque o modelo usa a mesma plataforma do Onix, uma característica comum nos crossovers, ainda que o consumidor veja o carro na rua, na propaganda e na concessionária como um SUV compacto.
A maioria dos modelos vendidos como SUVs no Brasil usa estrutura monobloco, a mesma lógica estrutural comum em carros de passeio, enquanto um SUV de perfil mais tradicional costuma nascer de uma base mais robusta, com construção sobre chassi e ligação com picapes.
O Toyota SW4 é um dos exemplos mais conhecidos desse tipo de SUV, porque tem origem ligada à proposta de utilitário mais pesado, diferente dos modelos urbanos que ganharam altura, desenho mais encorpado e nome de SUV para disputar um mercado que cresceu muito no Brasil.
A chegada do Hyundai i20 à conversa coloca mais pressão sobre essa diferença, já que a própria Hyundai define o modelo como um carro entre hatch e SUV, e em outros mercados ele é vendido oficialmente como crossover.
O ponto que pesa é que o i20 é mais baixo que os SUVs compactos tradicionais, mas mantém o visual e a proposta de um crossover urbano, justamente a mistura que confunde o consumidor e mostra como o nome usado na vitrine nem sempre explica o carro por inteiro.
Modelos como CrossFox, Sandero Stepway e Onix Activ também entram nessa discussão, porque nasceram com base de carro de passeio, ganharam aparência aventureira e foram vendidos ao público como alternativas mais altas e descoladas, sem virarem SUVs no sentido clássico.
Segundo o Estadao, a consequência para o consumidor é simples: nem todo carro anunciado como SUV tem a mesma origem, a mesma estrutura ou a mesma proposta de uso, e a palavra crossover pode ganhar mais força no Brasil justamente porque explica melhor parte dos modelos que hoje lotam as ruas com aparência de utilitário.
“O nome SUV virou uma espécie de apelido comercial para tudo que parece mais alto e mais robusto, mas carro não muda de origem por causa da propaganda; quando um modelo nasce de base urbana, usa monobloco e entrega comportamento de carro de passeio, chamá-lo de crossover não diminui o produto, apenas coloca cada coisa no lugar certo.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo