Interesse por carros chineses cresce 515% no Brasil em cinco anos, aponta estudo
O interesse dos brasileiros por carros chineses cresceu 515% nos últimos cinco anos, segundo estudo da Timelens, empresa da FutureBrand São Paulo, que analisou mais de 110 milhões de menções na internet e mostrou como BYD, GWM e outras marcas asiáticas passaram do campo da desconfiança para o centro das conversas sobre compra de carro.
O avanço coincide com a chegada mais forte dessas montadoras ao Brasil, especialmente a partir de 2023, quando a BYD ampliou sua linha, a GWM iniciou operação local e novas marcas começaram a disputar espaço em um mercado antes dominado por fabricantes tradicionais.
Carros chineses puxam debate sobre híbridos e elétricos
As conversas sobre modelos híbridos e elétricos cresceram 112% no período analisado, o que mostra que o interesse pelo carro chinês não ficou limitado ao preço, mas passou a envolver tecnologia, autonomia, recarga, desempenho e custo de uso.
Entre os eletrificados, os híbridos plenos ainda lideram as menções, com 41% das conversas, mas o estudo aponta queda de 45,5% no interesse por esse tipo de veículo, sinal de que parte do público já olha para soluções mais eletrificadas.
Os carros 100% elétricos cresceram 116% nas menções, enquanto os híbridos plug-in avançaram 211%, movimento ligado à busca por carros que permitam rodar parte do tempo em modo elétrico sem depender totalmente da infraestrutura de recarga.
Conforto supera economia como fator de decisão
O levantamento também mostra mudança no que o consumidor brasileiro valoriza, já que a economia de combustível perdeu espaço como principal fator de decisão, enquanto o conforto foi apontado como atributo mais importante por 41,7% dos entrevistados.

A tecnologia aparece logo depois, e é justamente nesse ponto que as marcas chinesas ganharam terreno, oferecendo painéis digitais, centrais multimídia grandes, assistentes de condução e pacotes de equipamentos que antes ficavam restritos a versões mais caras.
Segundo Filippo Vidal, sócio e diretor da FutureBrand São Paulo, as novas montadoras asiáticas mudaram rapidamente a lógica de concorrência no Brasil, porque deixaram de disputar apenas por preço e passaram a influenciar o ritmo da inovação.
SUVs chineses dominam as conversas, mas sedans voltam ao radar
Os SUVs médios e premium já respondem por cerca de 40% das conversas sobre carros chineses, reflexo direto do peso desse tipo de carro nas vendas e do espaço que modelos eletrificados ganharam entre consumidores que buscam porte maior e mais tecnologia.
Mesmo assim, os sedans também voltaram ao radar nas redes sociais, especialmente entre os modelos compactos e médios asiáticos, que registraram alta de 939% no interesse, enquanto os sedans de luxo tiveram avanço superior a 2.000%.
Mercado eletrificado segue em expansão
O crescimento das buscas e menções acompanha o aumento das vendas de eletrificados no Brasil, que somaram 223.912 unidades em 2025, alta de 26% sobre 2024, segundo dados citados no levantamento, revelou o Estadao.
Para 2026, a expectativa da ABVE é que o mercado chegue a 300 mil veículos eletrificados, número que ajuda a explicar por que as marcas chinesas passaram a ocupar tanto espaço nas discussões sobre preço, tecnologia e futuro do carro no Brasil.
“O carro chinês no Brasil deixou de ser aquela aposta que o sujeito olhava de lado no estacionamento e passou a ser o carro que ele pesquisa antes de fechar negócio. A virada não veio só pelo preço, veio pela sensação incômoda de entrar em um modelo novo, ver tela grande, bom acabamento e pacote cheio, depois voltar para uma marca tradicional cobrando mais por menos.”– Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo


































