Uma Chevrolet Fleetside 1983 movida a lascas de madeira voltou a chamar atenção depois de uma medição feita em uma pista de aeroporto isolada, onde a picape alcançou 125 km/h em 1,6 km com largada parada, sem usar uma gota de gasolina.
O projeto foi mostrado pelo canal Jp Prat Projects, no YouTube, e usa como base uma picape quadrada de 1983 equipada com motor V8 Chevrolet 5.7 litros, fabricado em 1972, conjunto que já rodou mais de 100.000 km sem gasolina, segundo o dono do canal.
O sistema não queima madeira dentro do motor, as lascas são aquecidas em um grande cilindro metálico atrás da cabine, liberam monóxido de carbono e esse gás é combinado ao hidrogênio em um gaseificador, antes de seguir para a admissão do V8.
Antes de chegar ao motor, a mistura passa por um filtro que segura fuligem e cinzas, enquanto uma válvula esférica controla o fluxo, fazendo o motor antigo funcionar com gás de madeira em vez de combustível líquido convencional.
Para chegar ao local da tentativa, a Chevrolet percorreu 211 km, fez a passagem de 1,6 km na pista e depois voltou, o que permitiu calcular o gasto total de madeira no trajeto completo, não apenas na medição de velocidade.
Na média total, incluindo estrada, teste e retorno, o consumo ficou em 36,5 kg de madeira a cada 96,6 km, equivalente a cerca de 37,8 kg/100 km, número que mostra o tamanho da diferença entre carregar lenha e abastecer um tanque comum.
O vídeo informa que o sistema exige aproximadamente 15% mais energia do que a queima de gasolina, mas o cálculo muda para quem tem madeira disponível, já que o custo do combustível deixa de seguir a lógica dos postos.
O uso exige trabalho antes da partida, o filtro precisa ser limpo, as cinzas acumuladas na parte inferior devem ser retiradas e o gaseificador precisa ser aceso com papel amassado, etapa que leva de cinco a 10 minutos antes de o motor funcionar.
O outro custo aparece no espaço, porque os sacos de lascas ocupam a caçamba da picape, justamente a área que normalmente serviria para carga, e na tentativa de velocidade a madeira foi levada em um reboque puxado por outro veículo, reduzindo peso na Fleetside.
Mesmo com a limitação, o projeto chama atenção porque mantém um V8 antigo rodando sem adaptação interna específica e sem combustível secundário para dar partida, mas a conta real aparece no preparo, na sujeira do sistema, no volume da madeira e na caçamba tomada por sacos de lascas.
“A picape movida a madeira é maravilhosa justamente porque não tenta parecer prática demais; é uma picape V8 velha, teimosa e barulhenta provando que engenharia simples ainda faz milagres, desde que o dono aceite carregar o combustível onde deveria ir a carga.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo