O Hyundai i20 2027 chega ao Brasil com uma missão diferente da que o nome tem em outros mercados, porque aqui ele não será tratado apenas como hatch, mas como um compacto com roupa de SUV para disputar espaço com VW Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian e Chevrolet Sonic.
A linha começa no i20 Comfort 1.0 manual, por R$ 99.990, passa pelas versões Limited, X Line e Platinum, e chega ao i20 Ultimate 1.0 Turbo automático, por R$ 139.990, preço que coloca o modelo diretamente no miolo mais disputado entre os compactos altos vendidos no país.
O desenho é a parte que mais tenta afastar o i20 da imagem de hatch comum, com frente marcada por faróis full LED, assinatura luminosa em formato de H e carroceria com vincos fortes, mas as proporções entregam o projeto, já que o modelo tem 4,13 metros de comprimento, 1,78 metro de largura, 1,505 metro de altura e 2,58 metros de entre-eixos.
Na comparação visual com os rivais, o i20 fica perto de Pulse e Tera no comprimento, mas é mais baixo, o que deixa o carro com aparência menos parruda do que parte dos concorrentes, apesar da tentativa da Hyundai de vender o modelo no mesmo território dos SUVs compactos de entrada.
A traseira é o ponto mais discutível do projeto, porque traz lanternas finas em LED ligadas por uma faixa na tampa, para-choque com apelo aventureiro e tampa do porta-malas mais chapada, solução que dá identidade ao carro, mas também lembra alguns excessos de desenho já vistos em outros modelos compactos da marca.
Na versão Ultimate, o i20 usa motor flex 1.0 turbo de três cilindros, com 115 cv a 6.000 rpm e 17,5 kgfm a 1.500 rpm, sempre com câmbio automático de seis marchas e tração dianteira, conjunto já conhecido em outros Hyundai vendidos no Brasil.
Segundo os dados de fábrica, o i20 Ultimate acelera de 0 a 100 km/h em 11,7 segundos e chega a 184 km/h, com consumo declarado de 8,8 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada com etanol, ou 12,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada com gasolina.
As versões de entrada usam o motor 1.0 aspirado de 80 cv e 10,2 kgfm, sempre com câmbio manual de cinco marchas, uma escolha que baixa o preço inicial, mas distancia essas configurações do pacote mais completo oferecido nas versões turbo automáticas.
O i20 Ultimate aposta em duas telas de 12,3 polegadas, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, quadro digital, carregador por indução, ar-condicionado digital, freio de estacionamento eletrônico, auto hold, chave presencial e saídas de ar para o banco traseiro, item ainda pouco comum nesse segmento.
O pacote de segurança também é amplo para a categoria, com frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, piloto automático adaptativo, alerta de tráfego cruzado traseiro, detector de fadiga, assistente de permanência em faixa e centralização em faixa.
O problema está no acabamento, porque o interior usa muitos plásticos rígidos, encaixes simples e apoios pouco acolchoados, detalhe que pesa mais quando a versão topo se aproxima de R$ 140 mil e enfrenta rivais que tentam esconder melhor a simplicidade de carro compacto.
O porta-malas tem 346 litros, o tanque leva 50 litros e o peso declarado da versão Ultimate é de 1.205 kg, números que colocam o i20 em uma faixa de uso urbano e familiar leve, com espaço traseiro competitivo, mas sem apagar a sensação de que a Hyundai criou um SUV compacto a partir de um hatch.