A E-Motors Brasil suspendeu a venda do Emova Easy, carro elétrico anunciado por R$ 69.990 e apresentado como o elétrico mais barato do país, antes mesmo de entregar as primeiras unidades aos compradores.
A decisão também atingiu o Emova Urban, modelo maior, anunciado por R$ 99.990, e os clientes que tinham feito reserva receberam de volta o valor pago como sinal, segundo a importadora.
A empresa atribuiu a paralisação ao retorno da alíquota de 35% do imposto de importação sobre veículos eletrificados e ao salto no custo do frete marítimo vindo da China, dois gastos que entraram na conta antes de os carros chegarem às ruas.
O transporte de um contêiner, que custava cerca de US$ 1.800, passou para aproximadamente US$ 10.200, uma alta de US$ 8.400 por contêiner, valor suficiente para mexer no preço final de um carro vendido justamente pelo argumento de ser mais barato.
A E-Motors informou que não quis repassar imediatamente esse custo ao consumidor, por isso congelou o projeto e deixou os dois modelos fora de comercialização, sem apresentar uma nova data para voltar a vender, segundo a Aciara e CNN.
O Emova Easy tinha motor de 40 cv, autonomia declarada de até 200 km e proposta voltada ao uso urbano, com uma solução incomum no mercado de elétricos: simulação de câmbio manual com pedal de embreagem.
Esse recurso aproximava o modelo do setor de autoescolas, já que permitia treinar alunos em uma lógica parecida com a de carros manuais, mesmo em um veículo elétrico de entrada.
O Emova Urban, segundo modelo afetado, era mais potente e tinha maior alcance, com motor de 68 cv e autonomia informada de até 330 km, mas também dependia da importação chinesa e caiu na mesma conta de imposto e frete.
Os dois carros ainda nem tinham chegado aos consumidores quando a operação travou, e isso interrompeu o plano inicial da marca, que previa montar uma rede com 30 concessionárias e vender mil unidades até o fim de 2026.
Antes da suspensão, os modelos já tinham passado por mudança de nome, pois seriam chamados EV2 e EV3, mas a Kia contestou o uso dessas siglas no INPI, levando a importadora a adotar as denominações Emova Easy e Emova Urban.
Com as reservas canceladas e o dinheiro devolvido, a E-Motors fica sem carros à venda no país enquanto espera uma queda no custo logístico, e o elétrico de R$ 69.990 deixa de existir como opção real para o consumidor brasileiro neste momento.