A Aramco, maior petroleira do mundo, desenvolveu um motor a combustão voltado para carros híbridos, com arquitetura simplificada, menor número de peças e promessa de custo cerca de 20% menor que o de sistemas híbridos tradicionais.
O projeto foi batizado de DHE, sigla para Dedicated Hybrid Engine, ou motor híbrido dedicado, e nasceu no centro de pesquisa da companhia em Detroit, nos Estados Unidos, sem reaproveitar motores já existentes de montadoras parceiras.
A base do DHE é um motor 1.6 de três cilindros, com bloco fundido em peça única, sem cabeçote separado, solução que elimina etapas caras de usinagem e montagem nas fábricas.
O comando de válvulas fica dentro do bloco, opera apenas duas válvulas por cilindro e não usa variação de abertura ou tempo, enquanto o conjunto completo tem 175 peças, número bem menor que o de motores modernos convencionais.
Para compensar a arquitetura mais simples, a engenharia trocou bronzinas por rolamentos no virabrequim, no comando e nas bielas, além de deslocar o eixo em relação ao centro dos cilindros para reduzir a carga lateral sobre os pistões.
O motor também usa injeção direta e indireta, recirculação resfriada dos gases de escape e ciclo Miller/Atkinson, com estimativa de 41% a 42% de eficiência térmica, índice alto para um motor a combustão usado em conjunto híbrido.
A transmissão patenteada usa engrenagens planetárias e um motor-gerador em cada ponta do virabrequim, com o motor a combustão atuando prioritariamente como gerador e o motor elétrico principal encarregado de mover o carro, revelou a QuatroRodas.
Esse arranjo elimina a necessidade de um diferencial mecânico, permite rodar com o motor a combustão ligado ou desligado e abre caminho para uso tanto em híbridos plenos quanto em híbridos plug-in com função de extensor de autonomia.
O DHE ainda não está pronto para produção em massa, mas a Aramco já prevê evolução com ignição por pré-câmara, taxa de compressão maior, turbo elétrico e até uma versão preparada para queima de hidrogênio.
A empresa também trabalha com a ideia de uma família modular, partindo de um 1.1 de dois cilindros contrapostos até motores V4 de 2.1 litros e V6 de 3.2 litros, usando a mesma lógica de monobloco.
Nos cálculos apresentados pela Aramco, o motor 1.6 aspirado poderia reduzir o consumo em 35%, com custo adicional de produção de US$ 3.800 frente a um quatro-cilindros tradicional de sedan médio, enquanto o V6 aplicado a um SUV médio acrescentaria US$ 4.080 à conta.