O novo Fiat Argo ainda não foi apresentado oficialmente, mas os flagras com carroceria praticamente definitiva já mostram que a próxima geração do compacto deve abandonar parte do perfil de hatch tradicional para encarar uma faixa mais disputada do mercado brasileiro.
A Fiat prepara o modelo sobre a plataforma Smart Car, que deve estrear em um carro nacional da marca, com produção prevista em Betim, em Minas Gerais, e desenho inspirado no Grande Panda europeu, segundo as informações já divulgadas.
A mudança mais visível está no desenho, porque o novo Argo deve ter linhas mais retas, teto alto, dianteira curta e porte próximo de 4 metros, uma receita que aproxima o hatch da linguagem usada por crossovers urbanos.
Esse caminho coloca o modelo em uma posição diferente da geração atual, já que o carro não deve brigar apenas com Volkswagen Polo, Chevrolet Onix e Hyundai HB20, mas também com compactos de visual aventureiro e preço mais próximo dos hatches.
O Volkswagen Tera aparece como o alvo mais claro dessa mudança, porque chegou ao mercado com proposta urbana, porte compacto, apelo de SUV de entrada e motorizações que vão do 1.0 MPI de até 84 cv ao 1.0 170 TSI de até 116 cv.
A disputa entre os dois não deve ficar restrita ao motor ou ao tamanho do porta-malas, já que o Tera tem 350 litros e o novo Argo é esperado com cerca de 315 litros, mas também à forma como cada marca vai vender valor ao consumidor.
O Tera leva vantagem por já estar nas lojas e por ser vendido oficialmente como SUV, com itens como seis airbags, pacote de segurança, central multimídia e versões turbo, enquanto o Argo ainda depende de preço, versões e equipamentos para mostrar força.
A Fiat, porém, pode ter espaço para atacar pela conta final, porque um hatch com aparência de crossover tende a custar menos do que um SUV de entrada, desde que a marca consiga segurar o preço sem deixar o pacote pobre.
Nos motores, a nova geração deve manter o caminho dos compactos da marca, com 1.0 Firefly aspirado nas versões de entrada e o conjunto T200 Hybrid 12V nas configurações mais caras, o que deixaria o Argo mais alinhado à estratégia recente da Fiat.
A estreia ainda não tem preço, lista final de versões nem equipamentos confirmados, mas o movimento já indica que a Fiat quer reposicionar o Argo em uma briga maior, na qual o consumidor compara hatch, crossover e SUV pequeno antes de fechar negócio.
“O novo Argo parece seguir aquela velha lição que as marcas aprendem quando olham para a rua: o brasileiro pode até comprar um hatch, mas gosta de sentir que levou algo com presença de SUV, e a Fiat sabe vender essa sensação como poucas.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo